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Joe Satriani traz ao País a turnê de seu novo disco

Jotabê Medeiros - O Estado de S. Paulo

23 Agosto 2014 | 03h 00

Músico tutor de diversos guitarristas fala ao 'Estado'

O guitar hero Joe Satriani, professor de músicos como Kirk Hammett (Metallica) e Steve Vai, está retornando ao País para dois shows de sua nova turnê, Unstoppable Momentum: em São Paulo, dia 1.º de outubro, no Citibank Hall, e em Brasília, dia 3 de outubro, no Net Live Brasília. Seu currículo é amplamente conhecido, assim como sua habilidade para master classes. "Muitas notas!", como diria de seu estilo algum técnico de futebol.

Com 14 álbuns solos, 15 indicações para o Grammy e mais de 10 milhões de álbuns vendidos, Satch (como os amigos o chamam) também acaba de lançar uma biografia oficial, sobre a qual falou ao Estado (além da turnê nova, é claro).

Acaba de sair uma autobiografia sua, escrita por você e um ghost writer (Jake Brown, que também biografou Heart e Motörhead). Qual é a abordagem?

Esse livro, da ideia original até a publicação, levou dois anos de feitura. Chama-se Strange Beautiful Music e é um livro curto, uma memória em forma de crônica de cada um dos meus álbuns. Nele, eu descrevo como foram as gravações, além de mostrarmos entrevistas exclusivas com todas as pessoas envolvidas em cada um dos projetos, como engenheiros, produtores, músicos, técnicos.

Mas você está no seu auge, aos 57 anos. Por que fazer um balanço da carreira agora?

Acho que você está certo. Quando começamos a falar sobre esse livro, eu também me achava jovem demais para uma autobiografia. Mas fui convencido de que ele serviria como uma introdução curta ao meu trabalho. Não é algo daquele tipo que compila minhas entrevistas para revistas, TVs, as fofocas, as polêmicas. Nada disso, é um outro tipo de livro. Não é uma biografia no sentido mais conhecido.

Uma de suas fãs escreveu, no Facebook, que era uma biografia "sem drogas, sem groupies, sem quartos de hotéis quebrados".

(Risos). Eu li umas 10 ou 15 biografias de rock’n’roll antes de iniciar esse trabalho. É curioso, porque em quase todas elas eu encontrei tragédias, muitas drogas, álcool, confusão artística e até mortes. Tenho sorte de essas coisas terem passado longe da minha carreira. Ao mesmo tempo, alguns desses livros me deixaram desapontado por um motivo principal: eu procurava saber mais sobre a música daqueles astros e não encontrava quase nada. Eu achava todo tipo de história, mas quase nada sobre a música, a forma como foi feita. Fiquei com a impressão de que aquelas pessoas estavam sendo exploradas. Por isso, no meu livro, eu quis manter o foco na música.

AP
Satriani. "Se eu fosse cantar uma música, acho que seria All Along the Watchtower, do Dylan"

Seu disco mais recente é Unstoppable Momentum (2013). Quantas músicas desse disco vão entrar no show no Brasil?

No começo dessa turnê, a gente tocava o disco todo. Depois de 12 meses, fomos incluindo coisas que nunca tínhamos tocado antes, e acabou que o disco novo é contemplado com cerca de 9 canções. Ultimamente, na turnê europeia, os shows foram ficando mais curtos, uma hora e meia no máximo, e tivemos que reduzir um pouco o número de canções. Mas acho que, no Brasil, como temos 4 shows e mais tempo, vamos tocar por aí, 8 ou 9 canções de Unstoppable Momentum e coisas inesperadas, algumas surpresas.

A última vez que você esteve aqui foi com o G3, com Steve Morse e Joe Petrucci. Existe muita diferença em vir com sua banda de turnê e tocar com esses super-músicos consagrados, em uma superbanda como o G3?

Não acho que haja nenhuma diferença. No caso do G3, geralmente temos 50 minutos de cada um tocando as próprias composições, e depois temos os encontros no palco. Em geral, o projeto G3 reúne alguns dos meus melhores amigos, que, por acaso, também são alguns dos melhores guitarristas do planeta. É legal tocar com eles, aprender, ser surpreendido. Mas é igualmente legal tocar com meu grupo, que me acompanha no dia a dia, sabe de todos os infortúnios e os acertos. No final, com um ou com outro grupo, é um monte de diversão.

Seus atuais parceiros, Marco Minnemann (bateria) e Bryan Beller (baixo), têm um histórico de atuações com o metal progressivo, tocaram com o Dream Theater. Isso é transportado para o seu show?

Bom, primeiro de tudo o que posso dizer é que Marco e Bryan são músicos maravilhosos. Marco tocou com Frank Zappa, com Steve Vai. Tanto um quanto o outro têm um leque de colaborações muito amplo, e eles incorporam uma energia extra e ideias estilísticas que contaminam meu show. Acabam tocando coisas que eu compus, originalmente, há muitos anos, antes mesmo de eles terem acesso ao meu catálogo de discos. Ou seja: eles reinterpretam minha música junto comigo, dão sua nova contribuição. Acho que a plateia sente essa vibração nova.

Vi uma pergunta de outra fã sua, no Facebook, que gostaria de repassar a você: se você fosse cantor, que música escolheria para cantar em um show?

(Risos). Acho que seria All Along the Watchtower, do Bob Dylan. É dos anos 1960, foi gravada pelo Jimi Hendrix.

JOE SATRIANI

Citibank Hall. Av. das Nações Unidas, 17.955, Santo Amaro, tel. 4003 5588. 4ª (1º/10), às 21h30. De R$ 90 a R$ 400.

STRANGE BEAUTIFUL MUSIC

Autores: Joe Satriani e Jake Brown

Editora: BenBella Books (320 págs., US$ 18 na Amazon.com)