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PABLO KENNEDY| ESTADÃO

Homenagens e batuque na despedida do percussionista Naná Vasconcelos no Recife

Velório do corpo do músico ocorre na Assembleia Legislativa de Pernambuco; grupos devem se reunir nesta quinta-feira, 10, para homenagear o músico

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Monica Bernardes,
O Estado de S. Paulo

09 Março 2016 | 16h01

RECIFE - Seis meses após anunciar que sofria de um câncer no pulmão o percussionista pernambucano Naná Vasconcelos, 71, morreu, na manhã desta quarta-feira, 9, em decorrência de complicações da doença em um hospital particular da capital pernambucana. O velório, que começou no início da tarde, segue até a quinta-feira, 10, na Assembleia Legislativa de Pernambuco - e já reúne milhares de fãs. O sepultamento está marcado para a quinta pela manhã, no cemitério de Santo Amaro, na região central da cidade. Querido e respeitado mundialmente, o músico era detentor de oito prêmios Grammy.

Após o diagnóstico do câncer Naná iniciou o tratamento e manteve-se em atividade. Em setembro de 2015, logo após iniciar as sessões de quimioterapia, gravou vídeo recitando poesias e divulgou pelas redes sociais. No Carnaval deste ano, participou da abertura dos festejos oficiais, comandando mais de 500 batuqueiros no Marco Zero do Recife. Foi internado no último dia 29, após voltar de Salvador, onde passou mal durante um show.

Em dezembro de 2015, Naná recebeu título de doutor honoris causa pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Autodidata, nunca frequentou escola de música, nem se graduou, mas logo se firmou como um dos mais respeitados instrumentistas do Brasil, tendo colaborado com dezenas de nomes da música nacional e internacional, entre os quais Egberto Gismonti, Pat Metheny, Zeca Baleiro, Paulo Lepetit, entre outros.

Começou a careira aos 12 anos, acompanhando o pai em bares e clubes noturnos. O artista costumava dizer que “sentia a música” e era comum vê-lo transformar utensílios comuns, como panelas, penicos, jarros, garrafas, baldes em instrumentos de percussão.

Durante todo o dia, amigos e familiares agradecem aos fãs as centenas de homenagens ao artista. O Governo de Pernambuco decretou luto oficial de três dias.

Homenagens. Nesta quinta-feira, 10, centenas de batuqueiros de diversas nações de maracatu de baque virado irão prestar sua última homenagem ao percussionista. Eles se reunirão em frente à Assembleia Legislativa e sairão em cortejo até o cemitério onde o corpo será sepultado. Entre as nações que confirmaram presença estão a Aurora Africana, a Raízes de Pai Adão, a Almirante do Forte e a Cambinda Estrela. 

Ao longo desta quarta, 9, diversos artistas brasileiros manifestaram seus sentimentos pela morte de Naná nas redes sociais. O cantor e compositor Gilberto Gil usou sua conta no Twitter para publicar uma foto com Naná, citando uma frase dele. "Minha maneira de pensar música vai continuar viva depois de mim", transcreveu Gil, para em seguida desejar: "Descanse em paz, querido".

O paulista Emicida também lembrou Naná em suas redes sociais: "Obrigado por compartilhar seus sons conosco", postou o rapper, que colaborou com Naná na composição da trilha sonora do filme O Menino e o Mundo, animação brasileira indicada ao Oscar neste ano.

O também cantor e compositor pernambucano Alceu Valença usou o Facebook para falar sobre o tema. “Hoje viajou um dos maiores artistas e percussionistas de todos os tempos: Naná pernambucano, brasileiro, africano, universal! Naná do bombo, agogô, maracatu, do berimbau. Naná do compromisso com a cultura, Naná do carnaval. Naná da música popular, do jazz, do erudito, dos gritos sonoros, do "perequetê, perequetê, perequetê que ficarão nos corações e nos ouvidos de todos nós!”, escreveu.

“Estou muito triste. Naná me deu a grande honra de caminharmos juntos em cortejo no dia em que ele regeu, pela última vez, a abertura do carnaval do Recife. Siga em paz, mestre!”, afirmou Lenine, também através do Facebook.

Já o músico carioca Gabriel Pensador lembrou, em sua postagem, do talento e criatividade de Naná. “Não vou estranhar se os trovões, os ventos e as chuvas passarem a soar bem melhor, em combinações inusitadas de ritmos, depois da chegada do mestre Naná Vasconcelos ao céu”, declarou.

A baiana Daniela Mercury usou o Twitter e o instagram para lembrar o percussionista: "Naná falava com o universo usando seus berimbaus e tambores. Se vai um gênio da percussão!…" A paraibana Elba Ramalho lembrou o músico com uma foto dos dois no Instagram. "As alfaias serão sempre tocadas em sua homenagem! Descanse em paz, queridíssimo", escreveu. O grupo vocal MPB4, dos mais importantes da música brasileira também prestou sua homenagem: "Silenciam os tambores - aquele que mais sabia deles tirar música se foi. Naná Vasconcelos nos deixou".

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