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George Martin, produtor dos Beatles, morre aos 90 anos

- Atualizado: 09 Março 2016 | 09h 20

Frequentemente conhecido como o 'quinto Beatle', ele produziu a maior parte dos discos da banda

LONDRES - George Martin, o produtor dos Beatles que guiou a histórica transformação da banda ao longo de sua década de existência, morreu aos 90 anos, confirmou seu agente nesta quarta-feira, 9.

"Nós podemos confirmar que Sir George Martin morreu pacificamente em casa, na tarde de ontem (terça, 8)", disse o fundador da CA Management, Adam Sharp, em um comunicado. Sharp diz que Martin foi um dos "talentos mais criativos da música e um cavalheiro até o final".

O baterista dos Beatles, Ringo Starr, tuítou: "Deus abençoe George Martin, paz e amor para Judy e sua família. Com amor, Ringo e Barbara. George será lembrado".

George Martin no início dos anos 1960
George Martin no início dos anos 1960
O primeiro ministro britânico David Cameron, também pelo Twitter, disse que Martin "foi um gigante da música - trabalhando com os Fab Four para criar as músicas mais duradouras do pop".

Muito modesto para chamar a si mesmo de 'Quinto Beatle', um título que muitos achavam que ele merecia, o produtor trabalhou em alguns dos álbuns mais influentes dos tempos modernos: Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, Revolver, Rubber Soul, Abbey Road, elevando discos de rock de formas de ganhar dinheiro com hits para uma forma de arte. Ele venceu seis prêmios Grammy e foi induzido ao Hall da Fama do Rock and Roll em 1999. Três anos antes, recebeu o título de cavaleiro da Rainha Elizabeth II.

Martin tanto testemunhou quanto permitiu a extraordinária metamorfose dos Beatles e dos anos 1960. De um cru primeiro álbum em 1962 que levou apenas um dia para ser feito, para a produção que durou meses de Sgt. Pepper, os Beatles avançaram rapidamente como compositores e exploradores de som. Eles não só fizeram dúzias de clássicos, de She Loves You a Hey Jude, mas transformaram o estúdio em uma terra de loops das fitas, gravação em vários canais, tempos imprevisíveis e montagens caleidoscópicas.

O rock nunca mais seria definido como músicas de dois minutos ou arranjos de guitarra, baixo e bateria. Nas letras e na música, tudo virou possível.

"Uma vez que passamos da fase chiclete, as gravações iniciais, e eles quiseram fazer algo mais aventuroso, eles disseram: 'o que você pode nos dar?'", Martin disse à AP em 2002. "E eu disse, 'eu posso dar qualquer coisa que vocês quiserem'."

Além dos Beatles, Martin trabalhou com Jeff Beck, Elton John, Celine Dion e vários álbuns solo de Paul McCartney. Nos anos 1960, ele produziu hits de Cilla Black, Gerry and the Pacemakers e Billy J. Kramer e os Dakotas, e por 37 semanas seguidas em 1963 uma gravação sua ficou no topo da parada britânica.

Martin começou a produzir discos para a Parlophone, da EMI, em 1950, trabalhando em álbuns de comédia com Peter Sellers, Spike Milligan e outros. Ele teve seu primeiro hit #1 em 1961 com os Temperance Seven.

Mas o seu legado foi definido pelos Beatles, pelas contribuições que fez, e pelas que não fez.

Quando ele assumiu o grupo de Liverpool, Martin estava no comando, escolhendo Love Me Do como seu primeiro single e confinando o recém contratado Ringo Starr para o tamborim - uma situação que o baterista nunca superou de fato. Mas durante um tempo em que os jovens estavam substituindo os velhos, Martin também seria deixado de lado.

Antes dos Beatles, produtores como Phil Spector e Berry Gordy controlavam o processo de gravação, escolhendo os arranjos e os músicos; selecionando, e às vezes escrevendo, as músicas ou levando créditos por elas. Os Beatles, liderados pela dupla McCartney e John Lennon, se tornaram seus próprios chefes, contando com Martin no que ele poderia lhes oferecer.

Ele era frequentemente chamado a fazer o impossível, e muitas vezes era bem sucedido nisso. Ele gravava fitas em diferentes velocidades em Strawberry Fields Forever, ou, em Being for the Benefit of Mr. Kite, simulava um calíope (antigo instrumento musical a gás) com teclados, gaita e um harmônio, que o produtor tocou com tanta força que desmaiou. Ele tinha ideias boas para os teclados, tocando um solo de câmara em Lovely Rita, de McCartney, e um devaneio barroco em alta velocidade em In My Life, de Lennon.

Martin cresceu em uma família de classe média, trabalhadora, no norte de Londres, em 1926. Um privilegiado músico e experimentador, ele se graduou na Guildhall School of Music, onde estudou composição, orquestração e performance.

"A música foi basicamente a minha vida inteira", Martin escreveu em sua memória All You Need is Ears, de 1980.

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