Franz Ferdinand traz seu novo e elogiado show a SP

Vocalista do grupo, Alex Kapranos, fala ao 'Estado'

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

07 Setembro 2014 | 03h00

Das mais diretas, eficientes, quentes e desglamourizadas bandas do star system, os escoceses do Franz Ferdinand baixam de novo em São Paulo no próximo dia 30, para um show no Espaço das Américas. Mostram o disco mais recente, Right Thoughts, Right Words, Right Action (2013), mas estão articulando uma novidade quente: já têm pronto um novíssimo álbum, feito em parceira com uma banda que os inspirou, mas do qual não dizem muita coisa (revelam apenas que já possuem entre 15 e 16 canções finalizadas com a nova parceria e que pretendem lançar ainda este ano).

Right Thoughts, Right Words, Right Action nasceu de um insight inusitado: Kapranos estava passeando quando achou um cartão-postal num mercado de pulgas. Nele estava escrito: "Come home, pratically all is nearly forgiven" ("Venha pra casa, praticamente tudo está quase perdoado"). Esse é o verso inicial de Right Action, a canção que abre o álbum.

O Franz Ferdinand também celebra 10 anos do lançamento de seu primeiro disco, Franz Ferdinand (2004), que possuía o single Take me Out - um fenômeno que varreu o planeta. Também é uma data curiosa porque marca o centenário do assassinato do arquiduque que deu o nome à banda, em Sarajevo, em 1914, acontecimento que deu início à Primeira Guerra Mundial.

O vocalista do Franz Ferdinand, Alex Kapranos, falou com o Estado por telefone, de Londres, há alguns dias sobre o retorno ao Brasil. E contou que compôs também algumas coisas para um provável disco solo com Justin Young, dos Vaccines.

Quando você canta Goodbye Lovers and Friends, você diz: "Não toque música pop/Você sabe que eu odeio música pop". Essa música é a mais representativa daquilo que você chama de "cinismo otimista"?

Talvez. Não sei qual é a perspectiva de cada um dos ouvintes da minha música, mas é ironia, claro. Até porque eu amo pop music. E pop music, para mim, é um conceito muito amplo, é tudo que me inspira. Nirvana é pop, Giorgio Moroder é pop, Lady Gaga é pop, Black Sabbath é pop. Eu não tenho essa compartimentação na cabeça.

Você é um dos artistas do mundo pop mais assíduos no Twitter. Como vê o papel das redes sociais na sociedade moderna?

Eu vejo tudo isso como uma grande diversão. Não sou muito do Facebook, mas gosto daquele tipo de conversação do Twitter, aquela troca de informações, os pequenos debates, as brincadeiras. É interessante. Mas eu também acho todas as outras formas de interação social importantes. Entro casualmente no Twitter, para dar umas risadas. Mas nunca faço isso com propósito de marketing, é apenas diversão.

Vi o set list de vocês em um show na Brixton Academy e tinha umas 8 canções do disco mais recente. É um bom número para um disco novo. Como tem sido a reação dos fãs às músicas novas, em geral?

O repertório muda muito de show para show, cada noite é diferente. Mas a recepção tem sido muito boa para as canções mais recentes. Tem uma coisa curiosa: Goodbye Lovers and Friends, que é a última canção do disco, acabou se tornando um grande momento do novo show. Todo mundo canta junto, todos sabem a letra, virou um happening. É muito bacana isso.

Há alguns dias, vocês fizeram uma cover fantástica de Leaving My Old Life Behind, que foi gravada por Jonathan Halper. Alguma chance de tocar aquela canção aqui?

Não sei. Talvez. É uma canção muito cool, ficamos orgulhosos do resultado. Tem um toque sexy, e era uma pena que estava em vias de desaparecer, uma bela peça de música que se perdera. Foi muito bom poder reinterpretá-la, quem sabe a gente consiga tocar.

Vocês gravam pelo selo Domino, que recentemente se viu em rota de colisão com o YouTube por causa da distribuição de música sem pagamento. Como você vê o problema dos direitos autorais na nova ordem tecnológica?

Olha, isso é uma coisa que diz mais respeito às companhias, aos negócios, e nós não costumamos nos ligar muito em negócios. Nossa onda é a música, é tocar e achar um jeito de continuar fazendo nossa arte e nos divertindo noite após noite. Por enquanto está dando pé. Enquanto estiver funcionando, vamos levando. É claro que há uma nova ordem e que ninguém mais compra disco, etc. e tal.

No ano passado, falei com o seu baterista, Bobby, e ele me disse que, durante um show de lançamento do disco, no Victoria Pub, em Londres, estava cheio de brasileiros, e que isso é comum em seus shows.

Eu me lembro de estar chegando para o show e cruzar com um grupo animado de brasileiros na fila, já estavam lá há algum tempo. Mas você tem que ver também que aquela parte de Londres tem muitos brasileiros, assim como italianos. Muita gente do Brasil vive lá. Mas, de fato, há sempre muitos em nossos shows pelo mundo afora, um pequeno grupo muito animado. Estou animado de voltar ao Brasil, porque toda vez que vou praí encontro gente maravilhosa, e os shows são fantásticos, a plateia faz a gente dar o nosso máximo.

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