Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Exposição conta partes da história do Nirvana e da cena que criou a banda

'Nirvana: Taking Punk to the Masses' fica no Lounge Bienal, no Parque do Ibirapuera em São Paulo, até o dia 12 de dezembro

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

12 Setembro 2017 | 18h53

Correções: 13/09/2017 | 08h43

A cidade de Seattle viu, no dia 13 de setembro de 1991 (exatos 26 anos atrás nesta quarta-feira), a festa de lançamento do Nevermind – o segundo disco do Nirvana, que transformou a banda num fenômeno global e histórico. Fotos dessa reunião (que teve os três membros do grupo expulsos após uma guerra de comida), o cartaz de convocação para a filmagem do clipe de Smells Like Teen Spirit e a primeira guitarra que Kurt Cobain quebrou na vida (num show em 1988) estão em Nirvana: Taking Punk to the Masses, exposição que fica no Lounge Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, até o dia 12 de dezembro.

São mais de 200 itens que pertenceram a membros da banda e uma cenografia multimídia que explora a história do rock underground dos anos 1980 nos EUA – cena que serviu de cama elástica para o sucesso da banda. Os ingressos custam de R$ 25 a R$ 35 e estão disponíveis no ingressorapido.com.br. As visitas são agendadas.

A exposição é permanente no The Museum of Pop Culture de Seattle, mas fez sua primeira viagem internacional ao Brasil – ficou no Rio entre junho e agosto e agora desembarca em São Paulo no subsolo do Pavilhão Bienal.

O curador Jacob McMurray explica que houve contato com o espólio de Kurt Cobain, mas que tanto a viúva (Courtney Love) quando a filha (Frances) de Kurt Cobain não intervieram no processo – tampouco colaboraram, porque era desejo da exposição utilizar diários e pinturas do cantor. Um quadro, que Kurt chamava de New American Gothic, está na mostra. “Courtney ficou silenciosa durante todo o processo de montagem da exposição, o que pode ter sido uma coisa boa”, brincou o curador na abertura da exposição, na terça-feira, 12, em São Paulo.

+ Veja fotos da exposição

“Um dos desafios era tentar agradar primeiro a uma audiência que ainda está viva e é muito crítica, em Seattle”, disse McMurray, referindo-se aos membros das bandas e fãs que viveram o grunge no final dos anos 1980. “Às vezes, a história do Nirvana e de Kurt Cobain tem uma aura pesada, muito conectada a drogas, depressão e suicídio, mas quisemos mostrar outro lado também, do surgimento e dos bons momentos de uma banda tão importante.”

A primeira guitarra que Kurt Cobain quebrou num show, no dia 30 de outubro de 1988, está lá (ou o que sobrou dela, uma Fender Mustang) – isso foi poucos dias antes do single Love Buzz sair, já pela Sub Pop (o primeiro contrato da banda com a gravadora independente de Seattle também aparece na exposição). O show num dormitório da faculdade de Evergreen virou lendário por ter transformado a banda iniciante da pequena Aberdeen num lance de sucesso em Olympia (96 km de Seattle) – e claro que Pete Townshend e Jimi Hendrix já quebravam as guitarras muito antes disso, mas não numa festa para umas dezenas de malucos num dormitório de faculdade.

Krist Novoselic, o baixista do Nirvana, foi de grande importância para a mostra, segundo o curador. Novoselic ficou afastado do show biz depois da morte de Cobain em 1994, mas recentemente voltou a aparecer e este ano está de banda nova, o Giants in the Trees, com um rock alternativo meio psicodélico. Ele cedeu vários itens para a exposição, e um dos murais tem 20 LPs do seu acervo pessoal que influenciaram a formação musical do Nirvana. Vários baixos aparecem lá – o seu primeiríssimo Ibanez preto e o Guild acústico que ele usou na gravação do Unplugged MTV.

Este ano, fez 23 que Kurt Cobain morreu. 23 anos! Embora aparentemente seja cool criticar o Nirvana, a vontade de botar para tocar a versão super deluxe do Nevermind vai aparecer após uma visita à mostra.

 

Correções
13/09/2017 | 08h43

Uma versão anterior da matéria dizia que o lançamento ocorreu há 16 anos. Na verdade, foi 26. O texto foi corrigido.

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