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Em outubro, Robert Plant volta ao País e show do Led Zeppelin é lançado nos cinemas

Julio Maria - O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2012 | 07h 00

Turnê brasileira passará por seis capitais e 'Celebration Day' estreia em 17 de outubro nas telas

Depois de muita especulação na internet o Led Zeppelin anunciou para o dia 17 de outubro o lançamento de Celebration Day - o aguardado filme que retrata o show de reunião da banda em Londres, em 2007. Enquanto a produção estiver sendo exibida em 1.500 salas de cinema espalhadas por 40 países, Brasil incluído, Robert Plant estará se preparando para subir novamente num palco brasileiro depois de 16 anos. Pode ter certeza; o que ele menos quer saber é de sua ex-banda. 

A turnê brasileira começa no Rio (18/10) e depois passa por Belo Horizonte (20/10); São Paulo (22/10, no Espaço das Américas); Brasília (25/10); Curitiba (27/10); e Porto Alegre (29/10). 

Em 2007, os tickets para o show do Led Zeppelin foram considerados os mais desejados de toda a história do rock. Mais de 20 milhões de fãs do mundo todo se cadastraram para o sorteio, mas apenas 18 mil foram contemplados com o direito de poder comprar seu ingresso. 

Pode-se dizer que o planeta parou de girar por duas horas naquele 10 de dezembro de 2007, quando Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e Jason Bonham, filho do baterista original John Bonham, morto em 1980, subiram ao palco da O2 Arena em tributo ao fundador da Atlantic Records, Ahmet Ertegun. Só um sujeito poderoso como Ahmet para, mesmo morto, fazer Plant subir ao palco com o Zepellin e ainda por cima cantar Stairway To Heaven, o maior hino do grupo, que o vocalista vem repudiando há décadas.

O show foi um tremendo sucesso e a oferta para trazer o Zeppelin de volta aos palcos para uma excursão girou em torno de US$ 200 milhões. Qual seria o ser humano que recusaria uma oferta dessas? Robert Plant.

“Uma canção dos anos 60.”. “Outro tema que nos remete lá pra trás.” É assim que Plant vem apresentando as poucas canções de sua ex-banda que constam em seu repertório atual. No show que realizou com sua nova banda, a Sensational Space Shifters, no festival inglês Womad, Plant se recusou até a mencionar o nome Led Zeppelin quando introduzia versões desfiguradas de canções como Friends, Bron-Y-Aur Stomp, Black Dog, Whole Lotta Love e Gallows Pole

A miríade de formatos e novos arranjos para os imaculados hinos do Zeppelin assustam o fã que aprecia os riffs e os vocais em tons altíssimos de priscas eras. 

O que apenas alguns gostam de enxergar é que Plant atravessa sua mais aclamada década desde seus dias de ‘golden god’ no Led, tanto comercialmente como artisticamente. O leonino vocalista de 64 anos tem lançado álbuns e projetos impecáveis, buscando em suas raízes musicais um fluído vital para seguir cada vez mais imponente rumo ao futuro. 

Enquanto promove essa disciplinada marcha, dentro de sua cabeça não ecoam os acordes de Kashmir, mas o grunhido de Howlin’ Wolf ou o rangido de Bukka White. Constam em seu show versões para lamentos desses dois ícones do blues, como Spoonful, 44 e Fixin’ To Die. O blues ainda corre pelas veias de Robert Plant, inclusive o blues branco inglês que ele também assimilou nos anos 60; prova disso é a inclusão de I’m Your Witchdoctor, de John Mayall, em seu setlist. 

Uma apresentação da Sensational Space Shifters é uma autêntica celebração ao rock de raiz. Estão ao lado do vocalista figuras importantes da música globalizada. Na guitarra está Justin Adams, produtor do Tinariwen. O multi-instrumentista africano Juldeh Camara também faz parte do grupo, assim como o tecladista do Massive Attack, John Baggott. Não poderia ficar de fora a cantora Patty Griffin, remanescente da Band Of Joy e atual namorada de Plant. 

Já que o assunto é celebração, esteja preparado para festejar muitas glórias ao lado de Robert Plant. Glórias do presente em seus shows, já as glórias do passado somente na telona mesmo.