Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Em novo disco, Os Paralamas do Sucesso mostram a beleza da impureza e um rock-and-roll na essência

'Sinais do Sim' preza pelo otimismo já no seu nome

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2017 | 06h01

Na impureza, Os Paralamas do Sucesso sobrevivem. Ou melhor, renascem oito anos desde Brasil Afora, o antecessor de Sinais do Sim. Profético era o título do álbum de 2009. Herbert Vianna (voz e guitarra), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria) rodaram o País, de norte a sul, leste a oeste. Jamais pararam. 

Incansáveis, sempre no palco, os três prometiam uma nova safra de canções. “O Herbert está escrevendo”, repetia, como um mantra, Barone a cada nova entrevista encerrada com a pergunta insistente: “E aí, quando os Paralamas lançam disco novo?”. 

Herbert escreveu, de fato. Das 11 músicas, oito são assinadas por ele. Sinais do Sim é Paralamas de hoje, escaldado pelas mais de três décadas de estrada, esbofeteado pela vida, mas reerguido, com os instrumentos a postos, pronto para a batalha. 

É uma banda fruto daquilo que faz no palco. Recentemente, excursionaram como power trio, guitarra, baixo e bateria. Dá gosto de ver (e ouvir) como uma banda de tantos anos ainda quer soar como o mais puro rock-and-roll. São, em grande parte do disco, os três. As referências roqueiras, guitarrísticas, estão escancaradas. Fazem ruído, rompem o espaço alheio, sobram com gosto. 

Sinais do Sim tem a poluição sonora da molequice pouco podada por Mario Caldato Jr., o paulista que lapidou os Beastie Boys. Na crueza, Herbert canta sem medo das próprias falhas, da voz que por vezes teimosa se esconde. Canta com a vibração de quem celebra a vida, acompanhado pelos seus escudeiros fiéis. 

Sinais do Sim preza pelo otimismo já no seu nome, mas não ignora os nossos tempos. Medo do Medo, de João Ruas e a portuguesa Capicua, é a mais incisiva. O dedo, ali, vai direto na ferida na caixa registradora de quem lucra no medo alheio - e Herbert soa furioso. No canto iluminado do álbum, figuram as baladas Não Posso Mais, uma linda composição de Nando Reis, e Teu Olhar, essa de Vianna, na qual ele se derrama num amor ensolarado. 

É o Paralamas do Sucesso que a gente queria - e precisava. Provaram-se mesmo quando já não precisavam. E Barone pode rir aliviado: vamos precisar pensar em uma última pergunta, o disco deles, enfim, está aqui.

Veja entrevista com a banda:

 

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