Monise Terra
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Em noites jazzísticas, homenagem aos 80 anos de Baden Powell

Grupo de Philippe Baden Powell se apresenta no Rio e em São Paulo neste fim de semana

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

12 Outubro 2017 | 16h37

RIO - Na virada para os anos 1990, quando Philippe Baden Powell contava doze para treze anos, ele escreveu um bilhete pedindo que a mãe, dona Silvia, convencesse o pai a deixá-lo enveredar profissionalmente pela música. Devoto do violão, Baden Powell (1937-2000) não queria que seus meninos, Philippe e Marcel, este quatro anos mais novo, abraçassem um ofício tão sacrificante. Diante do pedido formal, ele cedeu, mas logo avisou: “Não quero mediocridade, tem que se dedicar!”

Ambos assentiram e se tornaram músicos estudiosos, que se apresentam em palcos no Brasil e na Europa. Marcel é violonista. Pianista de jazz, Philippe, hoje com 39 anos, está lançando Retratos, o segundo CD gravado com seu grupo, Ludere. O quarteto se formou remotamente: ele mora em Paris, onde nasceu, na temporada europeia de Baden, Rubinho Alves (trompete), em São Paulo, Bruno Barbosa (baixo), em Ribeirão Preto, e Daniel de Paula (bateria), em Santo André. Nesta quinta-feira, 12, apresenta-se no festival Ilhabela in Jazz; na sexta-feira, 13, no Blue Note do Rio; sábado, 14, no Jazz nos Fundos, em Pinheiros.

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No repertório, além dos temas de Retratos e Ludere, o primeiro CD, de 2015, está também uma homenagem aos 80 anos de Baden – efeméride que, num ano que celebra os 90 de Tom Jobim, vem passando despercebida, a despeito do lugar reservado a Baden no panteão da música brasileira. O Ludere fará leituras jazzísticas de quatro afro-sambas compostos com Vinicius de Moraes: Canto de OssanhaConsolação, Berimbau e Tempo de Amor. De Retratos, Afro Tamba remete tanto à dupla Baden & Vinicius quanto ao Tamba Trio. 

“Meu pai queria para a gente um caminho fora da música, ficava preocupado porque veio de família muito humilde, de pai sapateiro, e teve muita dificuldade para viver da profissão. Mas ele viu que a música é muito maior”, conta Philippe. “Meu irmão sempre teve afinidade com as cordas, foi primeiro para o violino, depois para o violão. Eu comecei a estudar piano com sete anos e, quando fiz o pedido formal, já achava a vida de músico muito bacana. Meu pai disse que ia nos ensinar, mas disse que tínhamos que estudar, quis nivelar por cima. Tinha que saber ler música, tirar de ouvido, ir a concertos”. 

A banda, que lança o CD pelo selo dedicado à música instrumental Blaxtream, compõe e se comunica por WhatsApp. Philippe conheceu Rubinho em 2011, quando o trompetista morava na capital francesa, e ele trouxe os demais. Os quatro compartilham pelo celular ideias de temas e informações sobre os shows, sempre em clima de camaradagem – “ludere”, em latim, significa jogar, brincar. A primeira turnê internacional será no verão europeu de 2018: já estão fechados quatro datas na Suíça; apresentações na Alemanha, Holanda e França são negociadas.

Philippe, inserido, sozinho e com Marcel, no circuito de festivais como Montreaux (na Suíça) e North Sea (Holanda), vive entre Paris e o Rio desde que nasceu. Hoje, ainda que tenha passaporte brasileiro, e não francês, assim se define: “Sou fundamentalmente brasileiro e carioca, de cultura parisiense. O Brasil chega muito antes na minha vida. É muito difícil e injusto fazer comparações. Na França existe um mercado que funciona em torno da música.”

A celebração dos 80 anos de Baden acabaram enfraquecidas pelo fato de Philippe estar longe, acredita. “Não posso cobrar isso de ninguém”, acredita o primogênito. Ele planeja gravar com o conjunto “oito ou dez” inéditas de Baden, guardadas com cuidado 17 anos de sua morte precoce – o acervo de partituras, manuscritos e violões está sob a guarda do Instituto Moreira Salles, no Rio. As músicas a serem selecionadas são temas instrumentais que ele pensa em talvez entregar a Paulo Cesar Pinheiro ou Chico Buarque, com quem joga futebol em Paris, para ganhar letra.

Serviço 

Quinta-feira, 12, às 21h30

Ilhabela in Jazz – Vila – Centro Histórico de Ilhabela

Entrada franca

Sexta-feira, 13, às 20 horas

Blue Note Rio – Avenida Borges de Medeiros, 1424 – Lagoa – Rio de Janeiro - RJ

Preço: R$ 100

Sábado, 14, às 22 horas

Jazz nos Fundos – Rua Cardeal Arco Verde, 742 – Pinheiros – São Paulo 

Preço: R$ 40

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