Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Dona Ivone Lara é tema de mostra em São Paulo

Itaú Cultural sedia a 'Ocupação Dona Ivone Lara', lembrando a força da 'Rainha do Samba'

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2015 | 02h06

O fato de ser Dona Ivone Lara mulher, negra, de 94 anos, uma das - se não a maior - compositora de samba de todos os tempos já é, para Tiganá Santana, razão para colocá-la sobre tapetes vermelhos. "E trazê-la para a Avenida Paulista é algo muito significativo", diz ele.

Depois da entrevista sobre seu novo disco, Tiganá fez com o repórter um passeio pelo espaço que vai receber a exposição Ocupação Dona Ivone Lara, com estreia neste sábado, 16, no Itaú Cultural.

Dona Ivone é daquelas figuras mágicas que as pessoas conhecem muitas vezes sem saber de quem se trata. O passeio pela ocupação pode, assim, fazer parte de justiça à mulher já batizada Rainha do Samba, entre várias outras condecorações.

Um dos ambientes decorados com rendas (lembrando uma das paixões da sambista) vai exibir uma entrevista rara concedida por ela. Outro será decorado como se fosse a sala da casa da compositora, com imagens em retrato de seus ancestrais. Mais cenas serão projetadas no corpo de instrumentos de percussão.

A curadoria, dividida entre a equipe do Itaú Cultural e o músico e filósofo Tiganá Santana, propõe narrar a vida da sambista em 100 m² no Piso Paulista, isso sem seguir uma ordem cronológica e sem discurso didático. A consultoria é assinada pelo jornalista Lucas Nobile.

Uma interessante abordagem será feita com o casal Villa-Lobos, personagens que incentivaram Dona Ivone a seguir seu caminho na música. Lucília, a mulher do maestro e compositor Heitor, é apontada como a principal descobridora da voz de contralto da sambista. Sua professora de canto, Zaíra de Oliveira, mulher de Donga, também será lembrada. Serão diversas fotografias, capas de discos, objetos pessoais, vestidos e instrumentos musicais como cavaquinhos. A mostra foi pensada em cinco eixos temáticos: o canto dos mais velhos, o bordado dos encontros, o enredo da festa, a composição do viver, e tanger, as cordas do hoje.

Uma roda de samba vai marcar a abertura da exposição, neste sábado, 16, às 12h e às 17h, com uma apresentação do grupo Samba Virado. No domingo, 17, às 19h, Tiganá Santana e Fabiana Cozza vão se apresentar no palco da Sala Itaú Cultural. 

OCUPAÇÃO DONA IVONE LARA
Itaú Cultural. Av. Paulista, 149, 2168-1776. 3ª a 6ª, 9 h às 20 h; 
sáb. e dom., 11 h às 20 h. Grátis. Até 21/6. 

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