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DJ Shadow mostra seu hip hop inspirado

Artista é atração principal do aniversário de 10 anos da festa Chocolate nesta sexta-feira, 19

Claudia Assef - Especial para o 'Estado',

19 Outubro 2012 | 14h00

Em tempos de DJs celebridade, qual seria um motivo forte para fazer as pessoas vestirem uma roupa, saírem de casa em dia de capítulo final de novela, atravessar a cidade e pagar ingresso para ver um DJ set? Resumindo em duas palavras: DJ Shadow, o nome fantasia do californiano Josh Davis.

Atração principal do aniversário de 10 anos da festa Chocolate (serviço abaixo) nesta sexta, 19, no Cine Joia, em São Paulo, Shadow vem ao Brasil pela segunda vez, depois de duas apresentações dentro do Tim Festival, em 2006,ao lado dos Beastie Boys.

Assim como o trio americano, que este ano perdeu o integrante Adam Yauch, Shadow é um ícone do hip hop que acabou transcendendo o gênero. “Cresci ouvindo Beastie Boys. Conheci o Adam em 1995, ele era um cara único.Grande influência pra mim”, disse o DJ em entrevista exclusiva para o Estado, por telefone.

Shadow chamou a atenção do mundo todo com seu primeiro disco, Endtroducing..., lançado em 1996. O disco entrou para o livro Guinness em 2001, como o primeiro álbum a ser gravado apenas a partir de samples de músicas já gravadas.

Talvez essa tenha sido a primeira vez que o mundo parou para observar que, além de manipular e selecionar bem as músicas, o DJ também pode se valer de um extenso repertório para criar obras completamente inéditas e únicas.

Em Endtroducing..., o som de Shadow, produzido a partir de discos alheios, mostrava um hip hop carregado de alma. Na capa, simplesmente a foto de uma loja de vinis com dois caras fuçando nas prateleiras, dava pistas da intensa bateção de perna de Shadow em busca do vinil perfeito.

Pergunto o que a música digital mudou na pesquisa musical de Shadow. “Já fui muito mais obcecado por comprar vinil. Fazia coisas absurdas, como sair de um aeroporto internacional onde eu faria uma conexão de duas horas, ir até uma ou duas lojas de discos, fazer compras e voltar correndo em cima de hora de entrar no avião. Hoje em dia não me mato mais atrás de um disco”, conta o DJ. “Não que eu use a internet para baixar coisas, prefiro sempre comprar música e pagar os direitos autorias. A web para mim é uma enciclopédia gigante, serve para pesquisa. Mas o tipo de música que eu procuro não está na internet”, diz.

Quando esteve no Brasil (ele tocou em São Paulo, Rio e Curitiba), por exemplo, ele trocou as compras por passeio. “Achei mais inteligente ir ao Corcovado do que comprar discos”, lembra.

Em 2002, veio o segundo disco de Shadow, o incrível The Private Press (assim como a imagem da capa de Endtroducing..., o nome deste álbum faz referência às pesquisas de Shadow, já que “private press” é o nome que se dá a discos impressos de forma caseira e em quantidades minúsculas). Lá estão obras-primas, como Six Days, faixa soulfoul que ganhou clipe do cineasta Wong Kar-wai.

Com produções sofisticadas, pesquisa musical aprofundada e técnica apurada, Shadow (ao lado de UNKLE, Q-Bert e Cut Chemist), ajudou a levar o hip hop americano pra longe do gangsta rap, flertando cada vez mais de perto com gêneros como o soul e o blues.

Vinil e ídolos. “Às vezes as pessoas ficam chocadas quando veem que não estou tocando vinil nas minhas apresentações. Mas hoje é impossível ficar atrelado ao vinil, porque há muito pouco lançamento neste formato”, diz. Portanto, não espera ver uma enorme mala de discos ao lado de Shadow na apresentação desta sexta no Cine Joia.

Questiono Shadow sobre a velocidade com que novos hits aparecem e somem hoje, se isso afeta a possibilidade de se construir artistas de maior peso. “A música esteve no topo da relevância cultural entre os anos 50 e 80. E o formato de consumo era o vinil. Agora as pessoas têm menos tempo pra música. É difícil ver uma pessoa sentar e ouvir um álbum inteiro. Portanto, agora o artista tem menos tempo para se provar. Não só a música foi afetada por essa falta de tempo das pessoas, mas todas as formas de arte são bem menos relevantes na vida das pessoas hoje”, conclui.

“Hoje as pessoas estão muito aflitas pra descobrir o novo. Tudo tem que ser rápido. Então é mais difícil para um artista evoluir ao longo de sua carreira. É difícil segurar a atenção das pessoas, já que muita gente parece ter uma mentalidade meio hipster, de descartar rapidamente o que já está ‘batido’”, argumenta.

Shadow tem duas filhas de 8 anos. Pergunto como é a educação musical das meninas, se ele se preocupa com isso. “Elas ouvem coisas bem antigas, cantoras de jazz dos anos 40 e 50. Curtem coisas que a minha mulher coloca no iPod delas. Mas é engraçado que elas sempre prefiram coisas velhas. Eu também era assim, ouvia coisas como soul music e r’n’b”, diz. Talvez o DNA explique.

Se você estava sem motivação para sair e ver como um DJ chega ao status de artista completo, hoje não tem desculpa.

DJ Shadow

Cine Joia. Praça Carlos Gomes, 82

Sexta-feira, 19 de outubro, a partir das 23h

Line up: Dubstrong, Nuts Live PA, DJ Set Shadow, Tamenpi

Preço: de R$ 80 a R$ 160

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