Discos e shows para lembrar Ernesto Nazareth

Os 140 anos de Ernesto Nazareth estão sendo lembrados com três discos independentes lançados no Rio. A pianista Maria Teresa Madeira gravou dois CDs contendo clássicos e ainda músicas inéditas e a dupla Luiz Flávio Alcofra (violão) e Lena Verani (clarineta) buscou um repertório pouco tocado para compor o de Confidências. Por caminhos diversos, ambos chegaram à homenagem. Enquanto Maria Teresa tenta tocar como faria o compositor, Flávio e Lena aproveitaram as interpretações que músicos como Jacob do Bandolim e outros chorões deram à música de Nazareth para fazer um disco intimista. Maria Teresa ia gravar só um disco com as músicas mais conhecidas, a ser lançado na coleção Mestres Brasileiros, da gravadora mineira Sonhos e Sons, do compositor Marcus Viana. "Fiquei entusiasmada e acabaram sobrando músicas. Então, o Marcus fez dois discos", conta ela. "Suas músicas são de quem conhece muito bem o instrumento. Ele faz o ritmo sincopado nas duas mãos e recria no piano a harmonia de um regional inteiro. É fácil de ouvir, mas difícil de tocar." Marcus Viana e seu pai, Sebastião Viana, participam com violino e flauta em algumas faixas - Coração Que Sente, Brejeiro, Escorregando, Remando e Nove de Julho. Não faltam clássicos como Fon-Fon, Odeon e Apanhei-te, Cavaquinho. O clima é de um sarau do início do século passado e Maria Teresa consegue ao mesmo tempo o virtuosismo da música erudita com o frescor do popular. "Quando toco Nazareth, sinto como se ele tivesse escrito para mim", brinca ela. "É pretensão, mas tenho essa sensação deliciosa." Flávio Alcofra toca no grupo Água de Moringa. É músico requisitado em rodas de choro e compõe para musicais. Lena vem da música erudita, mas esteve também na Orquestra de Música Brasileira, de Roberto Gnattali, nos anos 80. Os dois pesquisam o repertório de Nazareth há dois anos e escolheram as composições menos conhecidas. "Para mostrar um outro lado dele, mais camerístico", como explica Alcofra. Mas eles também gravaram clássicos como Ameno Resedá, Confidências e Labirinto. "O que mais atrai em Nazareth é a beleza de suas melodias e o desafio de tocá-las. Pode ser fácil no piano, mas a transposição para o violão e clarinete exige muito de quem toca", diz Flávio. Os três discos tiveram ontem lançamentos discretos (Flávio e Lena fizeram um show no Teatro Municipal de Niterói e Maria Teresa participou de um sarau no Conservatório Brasileiro de Música), mas eles pretendem dar à música de Nazareth o relevo merecido. No dia 25 de abril, Maria Teresa faz concerto na Sala Cecília Meireles e, em 7 de maio, Flávio e Lena vão para o Espaço Sérgio Porto, com show que contará também com o grupo Água de Moringa e o percussionista Paulino Dias.

Agencia Estado,

20 Março 2003 | 15h39

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