NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Dante Ozzetti lança 'Amazônia Órbita' com único show

Repertório de álbum instrumental baseado e ritmos do Norte será apresentado por 19 músicos na próxima sexta-feira, dia 14, no Sesc Pinheiros

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2016 | 03h00

O exército de Dante vai colocar uma Amazônia de pé. Serão 19 homens armados de instrumentos de cordas, percussão, sopros, guitarras, violões, sintetizadores. Uma epopeia que no início parecia inviável: num mundo em que músicos só diminuem a formatação de seus conjuntos para amenizar o impacto da crise, Dante Ozzetti vem com um pelotão. “Não fiz esse disco para fazer show”, disse há três meses. Hoje, mudou de ideia. “Vamos fazer o show do Amazônia Órbita, deu certo.”

Seu projeto Amazônia Órbita será mostrado em noite única na próxima sexta-feira (dia 14), às 21h, no Sesc Pinheiros. Dante aborda cerca de dez ritmos amapaenses raros, muitos completamente desconhecidos fora dos territórios do Norte. Se ficasse apenas no Amapá, já teria as descobertas do marabaixo e da batucada, mas ele mexeu um pouco mais e chegou ao lundu indígena, ao carimbó, ao samba de cacete.

Dante fez suas descobertas enquanto trabalhava como produtor musical e arranjador da cantora Patrícia Bastos, filha das tradições amapaenses, que acaba de lançar Batom Bacaba, elogiado álbum produzido por Dante e Du Moreira. Esses dois discos, Amazônia Órbita e Batom Bacaba, filhos de um mesmo tronco amazônico, podem estar neste momento colocando o Amapá no mapa e estimulando a produção de novos trabalhos. Só da família de Patrícia sairão outros dois. O irmão Paulo Bastos, percussionista e compositor, vem por aí com seu primeiro disco autoral. E a mãe de Patrícia, Oneida Bastos, a primeira mulher amapaense a ter um disco gravado, está em estúdio para lançar álbum novo em breve.

Amazônia foi gravado entre São Paulo e Belém. Ele tem a participação do Trio Manari, grupo percussivo de maior respeito no Pará, e conta com músicos como Du Moreira (baixo, sintetizador e efeitos), Marta Ozzetti (flauta), Ronaldo Pacheco (fagote), Maria Beraldo (clarinete) e Rubens Mattos (tuba). Uma formação sinfônica executando temas folclóricos? Essa foi a armadilha na qual Dante não caiu.

Há instrumentos de cordas em alguma camada, mas também programações eletrônicas dialogando com instrumentos acústicos. Na verdade, a separação dos três, como se vivessem em mundos distantes, soa algo ultrapassado quando se ouve o quanto podem conversar, completarem-se nos arranjos estarem próximos. É tudo uma coisa só. A tradição nem sempre está no ritmo, o que seria mais óbvio. As divisões de um marabaixo podem inspirar uma frase no baixo, estar na ponta de uma melodia. 

A música de abertura, Lundu do Marajó, resume esse espírito. Estão todos os elementos de Dante por ali, e a sua Amazônia imaginária se torna palpável no ar, emocionante, aventureira, como uma experiência em várias dimensões.

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