Crítica: No novo disco, Tribalistas flutuam entre a aura naïf e a politização

Crítica: No novo disco, Tribalistas flutuam entre a aura naïf e a politização

O segundo álbum do supergrupo preserva o conhecido DNA ‘tribalístico’ na sua sonoridade, mas, na temática, se alterna entre letras engajadas e mais líricas

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2017 | 20h37

Quem esperava uma revolução sonora dos Tribalistas não a encontrará no novo disco da tríade Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. Mas, afinal, quem esperava isso? O primeiro e até então único álbum do supergrupo havia sido lançado há longínquos 15 anos e, nesse tempo todo, ninguém sabia se o trio um dia voltaria. É até um alento constatar que o DNA ‘tribalístico’ está preservado, em toda sua poética melódica, nesse segundo trabalho. E talvez não fizesse sentido ‘a volta’ deles se fosse diferente disso. 

Mas, dentro do contexto dos Tribalistas, há, sim, mudanças significativas nas letras. Se existia uma certa inocência no primeiro disco, traduzida em canções como Velha InfânciaJá Sei Namorar e Passe em Casa, agora, percebe-se uma postura mais politizada, em músicas como Diáspora – e os refugiados pelo mundo –, Um Só – sobre a sociedade feita de diferenças e como isso nos une – e Lutar e Vencer – sobre resistência. Reflexo dos novos tempos.

Isso não impede que a aura naïf dos Tribalistas surja nos momentos mais líricos, como na bela Aliança e Fora da Memória. Assim, apesar de reunir algumas canções numa outra frequência temática, Tribalistas, o novo álbum, soa como uma continuação daquele primeiro trabalho, formando um belo cancioneiro ‘tribalístico’. 

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