Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Com mistura inusitada de diferentes ritmos, Samuca e a Selva lança 'Madurar'

Banda chama a atenção pela mescla de diferentes gêneros musicais

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2016 | 03h00

Muita gente já se surpreendeu com a mistura explosiva de ritmos da banda Samuca e Selva. Quando a big band subiu ao palco da praia do Perequê, em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, em junho deste ano, no último dia do Vento Festival, muitas pessoas - para não dizer a maioria - não foram capazes de classificar o que vinha dali. Uma mescla de samba, rock, soul, jazz e funk, além de uma vontade incontrolável de cair na dança, ainda que o frio predominasse aquela gélida tarde de outono. “Nossa sonoridade segue justamente essa linha. Cada um dos integrantes tem uma escola musical diferente. As referências vão do hardcore, passando pela MPB, até chegar ao samba", afirma o vocalista Samuca, um dos líderes do grupo. Com um jeito sereno, Samuca sintetiza em sua potente voz o caldeirão sonoro que é o conjunto. Formado por dez integrantes, Samuca e a Selva acaba de lançar o disco Madurar, o primeiro da carreira. Eles fizeram o show de lançamento do álbum na última sexta-feira, 28, no Sesc Belenzinho. “Sou o cara que agita e compõe, mas todos aqui tem sua importância. Tudo isso não existiria sem a contribuição de cada um”, diz Samuca em entrevista ao Estado no jardim do Museu do Ipiranga.

O que diferencia a sonoridade do grupo é justamente o quarteto de metais. Bio e Kiko Bonato (saxofones), Felippe Pipeta (trompete) e Victor Fao (trombone) dão pluralidade às composições de Samuca e ditam o ritmo das músicas. Já Guilherme Nakata (bateria), Marcos Mauricio (teclado), Thiago Buda (baixo), Allan Spirandelli (guitarra) e Fábio Prior (percussão) integram a chamada “cozinha” da banda. Versáteis, são capazes de fazer uma revolução sonora, inclusive nas performances ao vivo. “Eu consigo ver claramente a função de cada um. É como um jogo de xadrez, se você perde uma peça, fica mais difícil, pois cada uma delas faz uma coisa que a outra não faz”, reflete Samuca.

A uniformidade musical de Samuca e a Selva, entretanto, só se dá por completa com a interferência do 11º elemento da banda, o produtor musical Rodolfo Lacerda. Ele é o responsável por organizar as agendas dos integrantes, coordenar os ensaios e orquestrar a musicalidade complexa dos 10 membros. “A gente precisava de alguém específico e com bagagem para organizar tudo isso. O Rodolfo caiu como uma luva. É ele quem dá as diretrizes e deixa nossa bagunça minimamente organizada”, afirma o baterista Guilherme Nakata.

Além da mescla de estilos, as canções de Samuca e a Selva dialogam fluentemente com a América Latina e as regiões norte e nordeste do País. Músicas como Afobado Peito Altivo e Coco Docê externam um lado mais dançante e que se aproximam do forró, do baião e do maracatu. Já Pobre Bento tem um leve toque de afrobeat. Na instrumental Pantanal, que fecha o trabalho, a sanfona dita as regras do jogo. Esperanza (Bem-Vindo à Selva) conta com as participações especiais de Thiago França, do Metá Metá, no Saxofone e Maurício Fleury, do Bixiga 70, no órgão. “Nunca gostei de rotular as coisas. Talvez por isso sempre tenha dado tão certo. Acho que o maior erro das pessoas é querer conceituar cada detalhe. Somos uma panela de ritmos e sentimentos. Só isso já está de bom tamanho”, conclui Samuca.

 

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