THE GUARDIAN
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Com hit mundial, banda Kongos traz ao Brasil o sabor da África indie

Quarteto de irmãos fez sucesso com 'Come With Me Now'; eles tocam no Lollapalooza Brasil, em março

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

16 Janeiro 2015 | 03h00

Quem não dança, segura a criança. Os irmãos Kongos não querem ver ninguém parado na sua plateia do Lollapalooza Festival, no Autódromo de Interlagos, nos dias 28 e 29 de março. Eles são uma das novidades indie mais quentes da jornada, autores do virótico hit Come With Me Now (canção de 2012 projetada na trilha do cult movie Holy Motors, de Leos Carax).

“Gostamos de diferentes tipos de som: mais pesados, mais suaves, com alguma eletrônica. Não seguimos regras ou parâmetros. Se a canção é boa, não importa. Basta que encaixe no disco. A única coisa é que temos grande respeito pela música africana, gostamos de fazer o público dançar”, disse ao Estado o baixista e vocalista Dylan Kongos – um dos quatro filhos do cantor John Kongos que formam a banda (os outros são Daniel, vocais e guitarra; Jesse, bateria e vocais; Johnny, acordeão e teclados).

O pai dos rapazes foi uma das grandes influências do glam rock britânico nos anos 1970, com hits como Tokoloshe Man e He’s Gonna Step On Your Again. Uma lenda da música, homenageado pelos Happy Mondays nos anos 1990. “Ele estava à frente do seu tempo na exploração de ritmo e harmonias. E também usava tecnologia, foi um dos primeiros a usar computadores. Nos influenciou musicalmente, mas também pelo fato de sempre estar à nossa volta, nos estúdios. A coleção de música dele também foi fundamental para a gente”, lembra o baixista. Hoje em dia, John Kongos passa metade do ano na África do Sul e a outra metade em Londres. Não toca mais (participou de duas canções dos filhos) e se dedica mais à produção, diz Dylan (cujo nome, conta, foi inspirado tanto no poeta galês Dylan Thomas quanto na lenda folk Bob). 

Os irmãos Kongos nasceram na África do Sul e hoje vivem em Phoenix, no Arizona. Assim como os irmãos do Kings of Leon, que admiram, eles “brigam, como todos os irmãos, mas também há mais confiança e objetivos comuns”, diz Dylan. “Funciona muito bem juntos. E não tem muito essa de ego, todos se conhecem desde sempre”.

A banda só tem um disco lançado, Lunatic, que foi feito em 2011, turbinado por muita percussão e ritmo. “Levou uns dois anos para virar sucesso. A gente até já tinha desistido dele. Temos uns dois ou mais discos já prontos, mas aí ele foi lançado nos Estados Unidos e foi um grande sucesso. Estamos desde fevereiro de 2014 em turnê, o que impediu a gente de finalizar o novo álbum, mas tocamos muitas canções novas nos shows”.

O sucesso da música Come With Me Now surpreendeu até eles mesmos. “Muitas vezes, você compõe 100 músicas e só umas duas se tornam conhecidas. Fizemos muitas versões dessa música, muitas demos. Ela foi evoluindo progressivamente para esse tipo de pop misturado com ritmos africanos. Foi uma questão de tempo”.

As influências dos Kongos, aponta, são múltiplas: vão desde Queens of the Stone Age até a música do Noroeste da África, como Amadou e Mariame o blues do deserto do Mali.

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