Pedro Antunes/Estadão
Pedro Antunes/Estadão

Coldplay traz de volta espetáculo de luzes, melancolia e cores a São Paulo

Banda inglesa se apresentou no Allianz Parque, na noite desta terça-feira, 7; apresentação dará origem a um DVD do grupo

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2017 | 00h55

SÃO PAULO - É uma tarefa árdua, mas é preciso aceitar que o Coldplay não é mais aquela banda para meia dúzia. E não o são faz tempo, é claro, mas a cada nova apresentação da banda no Brasil, o entendimento se fortalece. Nesta terça-feira, 7, o grupo inglês voltou a apresentar em São Paulo, um ano e meio depois da última passagem, ainda na mesma turnê, ancorada pelo disco A Head Full of Dreams, lançado em 2015. 

A partir de Viva La Vida or Death and All This Friends, de 2008, o caminho para fora do indie era sem volta para Chris Martin e companhia. O descolamento se completou com Mylo Xyloto, de 2011 - provavelmente um dos discos com os nomes mais estranhos da história - e assim seguiu nos álbuns seguintes. Portanto, é de se entender que as canções intimistas daquele trio discos do início de carreira, na primeira metade da década passada, não sejam mais somentes meus ou seus, individualmente. Pertencem, agora, a um tanto imensurável de gente. Pertencem, pelo menos, às 45 mil pessoas que lotaram o Allianz Parque. 

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Canções como Yellow, The Scientist, Clocks, Fix You e In My Place, gestadas para serem ouvidas num quarto escuro, com o coração agoniado e lágrimas a escorrer até o travesseiro, são hoje canções para multidões com pulsos piscantes graças às pulseiras que emitem luzes coloridas distribuídas pela banda na entrada do estádio. O que era escuridão, hoje é luz. 

Aceite isso. É um passo importante para o fã que gosta da primeira trinca de álbuns do Coldplay ser capaz de apreciar uma apresentação da banda no hoje. Mais de uma década se passou, afinal. E o Coldplay seguiu seu processo de abertura. Como um metafórico processo de cura de uma dor de amor. Em primeiro lugar, vem a melancolia. Depois, a euforia. Por fim, o entendimento de que nenhuma bad deve ser tão pesada assim, tal qual a alegria eufórica e descompensada emergida na sequência. 

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O Coldplay de hoje é a representação da maturidade. Nenhum extremo. Apenas a vida, como ela deve e pode ser. Colorida, se você for capaz de aceitar. 

 

 

O Coldplay é uma das maiores banda do mundo da atualidade. Um ano e meio depois, esgotaram duas noites de estádio em São Paulo em questão de horas. Não faz show, dá espetáculo. Luzes, pirotecnia, balões, papel picado, balões gigantes, três palcos e as inventivas pulseiras iluminadas que trocam de cor ao sabor da canção executada no palco. O show, em comparação ao mostrado no ano passado, é praticamente o mesmo. O núcleo do apelo do grupo não está na inventividade - esse é o posto de grupos como o Pearl Jam, que não repete os setlist e deixa hits de fora. 

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Não, não. O Coldplay não deixa seus sucessos de fora, algo que em um futuro próximo será um problema (dos bons) caso eles sigam emendando hit seguido de hit, como o fazem há quase duas décadas. A maior  surpresa ficou pela necessidade de uma pausa por parte de Chris Martin nos vocais de In My Place, já na reta final da apresentação. "Preciso descansar", justificou Martin ao anunciar que Will Champion, o baterista, comandaria a voz da música. 

A ausência pode ser justificado pelas notas agudas necessárias para a canção e pelo fato de que no dia seguinte, quarta-feira, a banda voltará ao mesmo palco. As duas apresentações paulistanas serão incluídas em um DVD da banda. "Por isso voltamos: para mostrar para o mundo a energia do público de São Paulo", explicou Martin, sobre o retorno. 

A uma hora e 15 minutos de atraso para o início previsto, marcado para 21h, foi justificada por uma questão logística - de acordo com o comunicado publicado no Instagram da banda, o equipamento de pirotecnia ainda não havia chegado ao estádio às 17h30 da terça. 

 

 

E embora as canções melancólicas do Coldplay já citadas tenham impacto, são as festivas que funcionam num estádio como esse. São elas - Paradise, Viva La Vida, A Head Full of Dreams, Advendure of a Lifetime e Every Tear Drop Is a Waterfall - que provocam o regojizo coletivo. As pulseiras brilham, as palmas são batidas, o palco inteiro pisca e os refrãos ecoam. 

O Coldplay não se posiciona como a banda introspectiva de outrora. Saíram. Do quarto, da melancolia. E, ao que se viu no estádio, o quarteto se encontrou nessa decisão. Aos indies de plantão, restam os discos. Neles, a solidão se mantém. Como a fotografia antiga, de um tempo que ficou para trás. 

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