FáBIO GUINALZ/FOTOARENA
FáBIO GUINALZ/FOTOARENA

Chico Cesar provoca catarse com 'Fora Temer' em Brasília

Show do cantor na Bienal do Livro no Estádio Mané Garrincha foi marcado pela apresentação da canção manifesto 'Reis do Agronegócio', uma das músicas mais contundentes contra o regime político; "morram", desejou Chico contra os corruptos que vivem no "centro do poder"

Julio Maria / Brasília, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2016 | 20h32

O cantor Chico Cesar provocou um estrondoso uníssono de “Fora Temer” durante sua apresentação, na noite de domingo (23), na Bienal Brasil do Livro e da Leitura de Brasília. Justamente por estar no “centro do poder”, ele cantou uma das canções recentes da música brasileira mais contundentes ao sistema político e econômico do País. O show, realizado no anel interno de entorno do monumental Estádio Mané Garrincha, uma construção alvo de denúncia de superfaturamento no valor de R$ 431 milhões, foi acompanhado por cerca de 300 pessoas.

Inspirado, Chico, mesmo com uma versão reduzida de sua banda (além do próprio na voz e na guitarra, a esplêndida Simone Soul na bateria e o faz tudo Helinho Medeiros no teclado e no acordeom), mostrou todo o repertório de seu belo disco Estado de Poesia, além de canções que o tornaram conhecido, como Mama África e À Primeira Vista. Em um determinado momento, ele pediu que um roadie trouxesse a letra da próxima música que cantaria.

O ajudante entrou com uma estante de partitura e quatro folhas coladas umas às outras. Eram os versos de Reis do Agronegócio, uma letra de Carlos Rennó e música de Chico. Seus dois primeiros versos dizem o seguinte: “Vocês se elegem e legislam, feito cínicos / Em causa própria ou de empresa coligada: / O frigo, a múlti de transgene e agentes químicos / Que bancam cada deputado da bancada / Té comunista cai no lobby antiecológico / Do ruralista cujo clã é um grande clube / Inclui até quem é racista e homofóbico / Vocês abafam, mas tá tudo no youtube / Vocês que enxotam o que luta por justiça; / Vocês que oprimem quem produz e que preserva / Vocês que pilham, assediam e cobiçam / A terra indígena, o quilombo e a reserva / Vocês que podam e que fodem e que ferram / Quem represente pela frente uma barreira / Seja o posseiro, o seringueiro ou o sem-terra / O extrativista, o ambientalista ou a freira.”

Ao terminar a canção protesto ‘bob dyleana’, que Chico já havia cantado em abril de 2015, na Câmara dos Deputados, os gritos de "Fora Temer", com braços erguidos, eram praticamente unânimes na plateia. O artista ganhou mais força em seu discurso e voltou a falar dos políticos corruptos, desejando em seu ápice que todos morressem, que jamais fariam falta e pedindo “morte ao capitalismo”.

 

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