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Cantor Nelson Ned morre aos 66 anos

Roberta Pennafort - O Estado de S. Paulo

05 Janeiro 2014 | 13h 06

'O pequeno gigante' estava internado em hospital de Cotia tratando uma pneumonia

Morreu neste domingo, 5, às 7h25, no Hospital Regional de Cotia, o cantor Nelson Ned. Ele estava internado desde sábado e foi vítima de complicações de uma pneumonia. A saúde do músico estava debilitada desde 2003, quando ele sofreu um AVC, que causou a perda da visão de um olho, e o deixou em uma cadeira de rodas. A cremação estava prevista para ontem, às 21 horas, no Cemitério Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, mesmo local do velório.

Sempre privilegiando o repertório ultrarromântico, Nelson Ned, mineiro de Ubá, filho de uma professora e de um fazendeiro, começou sua carreira muito jovem, nos anos 1960, cantando no rádio canções talhadas a seu vozeirão, como Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda (Lamartine Babo/Francisco Mattoso).

O auge do sucesso – não só no Brasil, mas em países da América Latina (México, Argentina, Colômbia), onde fez longas turnês e alcançou grande popularidade, da Europa e da África e nos Estados Unidos – foi nos anos 70 e 80, em que o gênero brega estava em alta.

Gravou 32 discos em português e em espanhol e vendeu mais de 45 milhões de cópias de LPs e fitas, numa época em que a pirataria ainda não ameaçava a indústria fonográfica. Toda a discografia foi lançada em CD. Cantou no Carnegie Hall por quatro vezes e no Madison Square Garden, ambos palcos de grande prestígio de Nova York. Dividiu microfones com ídolos mundiais, como o norte-americano Tony Bennet e o espanhol Julio Iglesias.

No Brasil, lotou estádios e teatros e foi presença frequente em programas populares de auditório, em especial os de Chacrinha, Silvio Santos e Raul Gil. Participou de festivais da canção e teve composições gravados por seus pares, como Moacyr Franco, Antônio Marcos e Agnaldo Timóteo.

O maior sucesso em sua voz foi Tudo Passará, composição própria que gravou em 1969. Depois dos anos 1990 passou a gravar louvores evangélicos, em português e também em espanhol e inglês, por conta de sua conversão religiosa. A música gospel lhe deu discos de ouro que não recebia desde a década de 1980.

Em 1996, lançou, com o autor Jefferson Magno Costa, a biografia O Pequeno Gigante da Canção, depois traduzida para o espanhol. Ned não tinha problemas em falar sobre seu nanismo – tinha 1,12 metro –, assim como a dependência de álcool e de cocaína, a depressão que enfrentou ao longo da trajetória artística e o fato de ser considerado um dos ícones do brega.

Ele precisou se tratar para se livrar dessas substâncias, e se apoiou na religião para tal, conforme relatou abertamente em entrevistas: "Quando eu conheci o poder de Deus, estava no chão. Perguntam: como uma pessoa que tem milhares de dólares no banco pode estar no chão? Eu tive muitos problemas. O artista é uma vítima do sucesso. Eu tinha a egolatria, era um sucesso no mundo e um fracasso dentro do meu lar. Durante muitos anos, procurei alegria no uísque, na cocaína, no sexo e nos calmantes. Maior do que o artista, tem que ser o homem. Eu era um anão moral", disse, certa vez, a Jô Soares.

Nascido em 1947, no começo da carreira, gravou a música autorreferente Tamanho Não É Documento, parceria com Hamilton Gouveia Bastos. Fez sua fama numa época em que não era regra o respeito às pessoas com dificuldades físicas. Teve três filhos e muitos romances.

Há dez anos sofreu um AVC e perdeu a visão do olho direito. Tinha diabete, hipertensão e problemas neurológicos. Em 2012, a casa na zona sul de São Paulo em que morava com a mulher, Maria Aparecida, pegou fogo, por conta de um curto-circuito. O incêndio destruiu álbuns de fotografia, fitas e discos reunidos durante toda a carreira de Ned.

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