Cachorro Grande se reinventa na música eletrônica e lança disco

Banda fala sobre o novo álbum, 'Costa do Marfim'

João Paulo Carvalho, O Estado de S. Paulo

23 Setembro 2014 | 03h00

O Cachorro Grande mudou. A banda do Rio Grande do Sul deixou os ternos e os riffs pesados de lado e agora adota uma postura psicodélica com influências da música eletrônica. Apesar da mudança visual e sonora, todo cuidado é pouco na hora de rotular Costa do Marfim, novo disco do grupo. Beto, Marcelo, Rodolfo, Pedro e Gabriel garantem: continua sendo rock. “Está diferente dos nossos trabalhos anteriores. A essência, no entanto, continua ali. Ainda é o bom e velho rock’ n’ roll do Cachorro Grande”, afirma o vocalista Beto Bruno. O quinteto recebeu a reportagem do Estado em um estúdio na região central de São Paulo para falar sobre o novo trabalho, os 15 anos de carreira e o cenário atual do rock feito no País.

Costa do Marfim, sétimo álbum da carreira dos gaúchos, tira o grupo da zona de conforto. Habituados a um som mais pesado, sujo e repleto de riffs e solos, eles inauguram, com o disco, uma nova fase após a gravação do DVD ao vivo no Circo Voador, no Rio. “O DVD foi o encerramento de um ciclo do Cachorro Grande. Precisávamos fazer algo novo e diferente do usual”, diz Beto.

Um dos responsáveis pela nova experimentação sonora do Cachorro Grande é o produtor Edu K, líder do De Falla. Toda a produção de Costa do Marfim ficou nas mãos de Edu, algo inédito nesses 15 anos de estrada. “A gente tinha vontade de trazer alguns elementos da música eletrônica para o nosso som, mas sempre faltou propriedade para isso. Não dominávamos muito essa área e o Edu entrou fazendo o meio de campo. Sempre tentamos gravar com ele, mas, por falta de agenda, nunca deu certo. Desta vez, rolou”, complementa o guitarrista Marcelo Gross.

O novo som do Cachorro Grande não assustou os fãs. Como era bom, primeiro single do trabalho, foi bem-recebido. “Nosso público geralmente gosta de coisas que a gente também admira: Beatles, Kasabian e Rolling Stones. Depois do Clash e da trilogia do David Bowie em Berlim, fica difícil rotular o que é rock ou eletrônico. Não tem nada de novo neste disco. É novo apenas para nós. Todas as bandas que a gente gosta dos anos 1990 já fizeram isso: Oasis, Supergrass e Blur. É só rock com influências eletrônicas”, garante Beto.

O Cachorro Grande vê as mudanças como algo natural dentro do processo de evolução da banda. “Os Beatles não fizeram coisas iguais. Imagina se eles tocassem She Loves You a vida inteira? Eles olharam a cena musical que estava rolando ao redor deles. Foi quando gravaram Rubber Soul e Revolver. Acho que seria uma falta de respeito com nossos fãs se a gente produzisse dez discos iguais”, crava o baixista Rodolfo Krieger.

O despertar do rock. Além do Cachorro Grande, outras grandes bandas do cenário nacional voltaram à ativa. Pitty, Titãs e Nação Zumbi lançaram bons discos de rock. Para o grupo gaúcho, o gênero está entrando novamente nos eixos após um período nebuloso. “A última geração do rock foi vergonhosa. Aqueles coloridos prejudicaram o rock. Você não era mais levado a sério graças àquilo que eles inventaram. Esses caras de hoje não têm vivência nenhuma no rock. É uma geração completamente perdida. Eles envergonharam os roqueiros. A referência deles era comprar um iate. É uma geração que não quer ouvir música”, dispara Beto. 

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