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Buena Vista Social Club vem dar adeus a SP

Grupo cubano que fez história nos anos 1990 traz quatro integrantes da formação original para duas apresentações

JULIO MARIA, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2015 | 02h07

Os próprios cubanos advertem: cuidado com os grupos chamados Buena Vista Social Club. A ilha dos irmãos Castro foi tomada por uma meia dúzia deles, todos querendo ganhar desde que a primeira agrupação com este nome ganhou o mundo, no final dos anos 1990.

Seus remanescentes estão de volta ao Brasil. Não são muitos, se forem lembrados que morreram integrantes importantes como o violonista e cantor Compay Segundo, o bolerista Ibrahim Ferrer e o pianista Rubén Gonzales, uma turma que veio ao Brasil em 2000, depois de ser lançada no filme de Wim Wenders, com direção musical do guitarrista Ry Cooder.

A Adiós Tour chega a São Paulo para shows neste sábado, 16, e dia 23, no HSBC Brasil. Das estrelas da primeira geração, estará apenas Omara Portuondo. O trompetista Guajiro Mirabal e o ágil alaudista Barbarito Torres aparecem no filme.

Mas outros foram escalados durante a carreira do grupo, que nunca parou. Estarão agora no Brasil o maestro Papi Oviedo, o pianista Rolando Luna, uma sessão rítmica composta por Pedro Pablo (contrabaixo), Andrés Coayo (congas), Filiberto Sánchez (timbales) e Alberto 'La Noche' (bongôs), a cantora e percussionista Idania Valdéz, um conjunto de três trompetistas liderado pelo especialista em notas altas, o fenomenal Luis Allemany, e o cantor de son cubano, o 'sonero' Carlos Calunga.

Calunga está no grupo há 11 anos. É ele quem fala sobre a proliferação de grupos sob a marca Buena Vista. "São pessoas desconhecidas, que podem ser boas mas não têm o espírito de velhos como Compay Segundo e Ibrahim Ferrer", diz. Sobre a possibilidade de processá-los?: "Em Cuba as coisas não são assim, daria muito trabalho".

Calunga diz que não sabe o que acontecerá com o grupo depois da turnê Adiós Tour. Ele sorri: "Não sei o que vai se passar, não falamos ainda sobre isso".

O cantor diz que as recentes aberturas política e econômica anunciadas pelo presidente Raúl Castro já podem ser percebidas, ao menos como um início, entre os músicos. "Antes, só podíamos entrar nos Estados Unidos se justificássemos nossa ida como se tratando de um intercâmbio cultural, ou coisa assim. Agora não será mais preciso isso. A mentalidade está mudando, as restrições estão sendo transformadas pouco a pouco."

Ele valoriza as negociações entre Cuba e Estados Unidos feitas secretamente pelo Papa Francisco. "Foi uma atitude muito importante. Agora, em breve, teremos as embaixadas reabertas", diz, otimista com a previsão de uma nova era para o mercado musical. Uma pena a primeira geração do Buena Vista não ter tido tempo para desfrutar do mesmo.

Três dos músicos que fundaram as bases para o sucesso do  Buena Vista Social Club

Compay Segundo

Máximo Francisco Repilado Muñoz era de Santiago de Cuba. Uma das música que ele interpretava, Chan Chan, se tornou um hino da redescoberta dos anos 90. Morreu em 2003, aos 97 anos

Ibrahim Ferrer

Uma das maiores vozes da Ilha, especializado em boleros. Morreu em 2005, aos 78 anos.

Rubén González

Pianista ágil e carismático, era idolatrado por sua geração em interpretações arrebatadoras. Morreu em 2003, aos 94 anos. 

BUENA VISTA SOCIAL CLUB

HSBC Brasil. Rua Bragança Paulista, 1.281, Chác. S. Antônio, 4003-1212.16/5 e dia 23/5, 22 h. R$ 120/R$ 350. 

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