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Brandon Flowers, vocalista do Killers, lança mais um disco solo para não ficar parado

Enquanto banda descansa, músico quer fazer o público dançar

Entrevista com

Brandon Flowers

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

06 Maio 2015 | 03h00

Brandon Flowers não parece querer perder tempo. Se os outros integrantes do Killers gostariam de uma pausa para descansar entre uma turnê e as sessões da gravação de um novo disco, o líder e vocalista do grupo prefere continuar na ativa. Ele se prepara para lançar o segundo disco da carreira solo, The Desired Effect, mais um gestado justamente enquanto o restante do quarteto decidiu colocar o grupo em segundo plano. A cada dois anos, Flowers surge com um novo trabalho. Tudo seguido tão religiosamente quanto ele próprio, em sua vida particular, como mórmon assumido. 

É agitado o bastante até para ficar parado enquanto conversava com o F, para divulgar o segundo trabalho. “Estou no meio do deserto neste momento”, conta o músico de 33 anos que até hoje mora em Las Vegas. “Aqui é a minha casa.” 

O novo trabalho não esconde referências oitentistas e andamentos bem mais acelerados do que o antecessor e um tanto mais intimista que Flamingo. Clima de discoteca, capa digna dos anos 1980, com o novo disco, Brandon Flowers não quer que ninguém fique parado. Nem mesmo ele. “Oi, desculpa, a ligação caiu”, volta a dizer do outro lado da linha, dez minutos depois de a ligação ser perdida. “Estou dirigindo. O sinal, às vezes, some.”

 

Mais de 22 milhões de discos vendidos ao redor do mundo. O número não é nada mau para uma banda que começou pequenina, em Las Vegas, Saiu do indie para o estrelado. Deixou os pequenos clubes para trás e foi apresentar-se em estádios e arenas de vários países - inclusive o Brasil, com seis shows por aqui. 

Não é por acaso que The Killers é um dos mais bem-sucedidos grupos surgidos durante os anos 2000. Muito se deve ao bom faro pop do líder e vocalista Brandon Flowers, cujo gosto se mistura com a sonoridade do restante do quarteto. Sozinho e livre, Brandon Flowers, de 33 anos, não esconde que gosta da pista de dança. 

As canções do Killers já chegavam ao refrão de forma explosiva, mas nada tão escancarado como em The Desired Effect, novo trabalho solo de Flowers, que chega às lojas dia 19 de maio. Confira, abaixo, mais do processo criativo que culminou neste trabalho para requebrar. 

Faz pouco tempo que você e o Killers vieram ao Brasil, no Lollapalooza de 2013. Com a banda, você toca em lugares gigantes, faz turnês mundiais. Aceitaria dar a volta ao mundo com shows ou a proposta não é essa? 

Eu amaria fazer, sim. Adoraria descer até a América do Sul, ao Brasil. Se aparecesse a oportunidade, eu faria. Mas, é claro, que precisamos encontrar tempo e um convite para fazer com que isso funcione. 

Entendo. Mas qual é a motivação por trás da carreira solo? Deixar os grandes palcos e buscar algo mais intimista? 

O que eu gosto é de continuar esse meu aprendizado e meu crescimento. Sabe, música é o que eu amo fazer e continuo seguindo com isso. 

Andei pesquisando os setlists das suas últimas apresentações solos e da turnê anterior. Na outra ocasião, com Flamingo (2010), você não tocava tantas músicas da banda. Agora, canções como Jenny Is a Friend of Mine, Read My Mind, Human e Mr. Brightside. Tocá-las funciona como um serviço aos fãs ou você gosta da oportunidade de executá-las da sua própria forma? 

Preferencialmente, gostamos de fazer versões diferentes das canções. Colocamos cantoras para backing vocals, harmonias a mais. Jenny Is a Friend of Mine, por exemplo, é completamente diferente. Assim como Mr. Brightside. Nós tentamos, sabe. Gostamos assim. 

Acho que também ajuda a manter um fator surpresa para você e para o público, não? 

Exatamente! É ótimo refazer as canções. As pessoas escutam nos shows e esperam algo como do Killers, sim, mas não dessa forma como estamos apresentando, entende? 

Recebi, há dois dias, o novo disco solo, The Desired Effect. Logo no primeiro ‘play’, era possível perceber que estamos diante de um álbum mais acelerado e quente. Qual foi a razão? 

Acho que o primeiro disco acabou ficando com canções mais lentas. Mas tinha na minha cabeça o que eu queria. Gostaria muito de músicas com essa levada mais acelerada. Queria experimentar colocar o público para cantar músicas como essas, assim como do Killers. Tudo faz parte da experiência. O primeiro disco tinha também canções mais curtas. 

Pelo que eu entendi, alguns integrantes da banda pediram para ter um tempo maior de descanso entre o fim da turnê do disco Battle Born e uma nova gravação. Mas você, não. Por quê? 

Foi exatamente isso. E, sabe, com Flamingo foi a mesma coisa. Eu queria gravar mais discos, tenho muitas músicas. Eles querem parar? Tudo bem, eu continuo seguindo, mesmo sem o Killers. 

Tem algo sobre esses lançamentos: você nunca passou mais de dois anos sem lançar um disco. Quero dizer, entre Battle Born, com o Killers, e The Desired Effect foram mais ou menos dois anos e meio. Não sente necessidade de se afastar da música por um período? 

Na verdade, não. Eu sempre tento fazer o melhor. Quero compor uma música que nunca fiz. Uma música que ninguém nunca ouviu antes. É tão excitante a ideia de que posso fazer isso. É isso que mantém meu interesse em música. 

Para esse disco, você chamou um produtor cuja escolha foi muito particular. Ariel Rechtshaid ficou conhecido por produzir uma geração posterior à sua e à do Killers. Trabalhou com gente como Vampire Weekend, Carly Rae Jepsen, Taylor Swift. Ele foi escolhido por representar um encontro com uma sonoridade do pop contemporâneo? 

Acho que não. Quero dizer, eu estava pensando em fazer um som do futuro, sabe? Achei que ele poderia ser a pessoa certa para me ajudar com isso. Também sabia que ele é um trabalhador, alguém que não tem medo de trabalhar pesado. Então foi bom tê-lo ao meu lado enquanto gravava esse disco. 

Quando se está em uma banda gigante como o Killers, partir para um projeto solo é uma espécie de tentativa de voltar à mesma sensação de nervosismo pré-show de início de carreira? 

Acho que sim. É sempre um desafio. Voltar um pouco, tocar em lugares menores. Acho que todas as vezes que faço isso sem eles, percebo quanto gosto de estar com meus amigos da banda. Isso acaba fazendo eu querer estar e gravar com eles com mais afinco. 

Já voltou a ouvir Hot Fuss, primeiro álbum do Killers, de forma crítica? Quanto do Killers de hoje está naquele álbum? 

Não sei. Algumas coisas do Killers ainda estão da mesma forma, eu acho. Mas quando ouço Lose My Mind, por exemplo, percebo que não somos a mesma banda de Hot Fuss. Nós mudamos, exploramos as coisas de forma diferente. Mesmo que não se possa mudar quem você é, nós buscamos evoluir.

INCANSÁVEL

Hot Fuss (2004)

O disco de estreia do Killers, lançado há 11 anos, apresentou ao mundo uma nova voz para o pop. Ainda com a aflição e pressa da juventude, Flowers encontrou um lugar muito próprio

Sam’s Town (2006)

O segundo disco já foi chamado de ‘o álbum mais injustiçado de todos os tempos’, por Brandon Flowers. O trabalho não foi bem comercialmente

Day & Age (2008)

Os Killers voltaram às paradas com o terceiro disco, graças à força de canções certeiras como os singles Losing Touch e, principalmente, Human

Flamingo (2010)

Flowers sempre foi bom em baladas e o primeiro disco solo dele mostra. Crossfire e Only the Young foram os sucessos

Battle Born (2012)

The Killers volta explosivo depois de quatro anos. Runaways e Miss Atomic Bomb são cheias de refrãos prontos para arenas

The Desired Effect (2015)

Difícil não dançar com Can’t Deny’ My Love? Flowers queria um show expansivo e conseguiu com essas novas canções 

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