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Bourbon Street traz duas frentes poderosas das noites de New Orleans

Julio Maria - O Estado de S. Paulo

21 Agosto 2014 | 09h 58

Mia Borders e Walter Wolfman Washington mostram o funk e o soul que o Sul dos EUA produz de mais relevante

O Bourbon Festival teve, nesta quarta-feira, 20, em São Paulo, uma noite de Bourbon Street, a inacreditável rua noturna de New Orleans, uma das maiores concentrações de casas com música ao vivo do planeta, que lhe empresta o nome. Havia no palco duas das frentes que ocupam hoje os palcos da terra prometida de Louis Armstrong, na Louisiana, sul dos Estados Unidos: a voz cortante e a guitarra decorativa da jovem Mia Borders e um tornado, de voz e guitarra, chamado Walter Wolfman Washington.

Alex Silva/Estadão
Mia Borders durante apresentação no Bourbon Festival, em São Paulo, nesta quarta-feira, 20

Mia é uma sedutora estratégica. Abre a porta com delicadeza fazendo o soul cool Try Me On para só então iniciar uma escalada sem pressa, degrau por degrau, ganhando impulso ao passar por Walk on By e Let's Get it On. Sem os metais nem a entrega devastadora de Marvin Gaye, Let's Get It On é uma canção pop que funciona em qualquer repertório menos por aquilo que se vê no palco e mais por aquilo que as memórias afetivas desencadeiam. É um torpedo que jamais será melhorado, mas que continuará sendo um torpedo.

Quando os motores de Mia e seu quarteto esquentam, seu recado começa a ser dado. Ela não sola uma nota, mas parece se sentir à vontade empunhando uma Fender vermelha para grovear, deixando seu guitarrista mais à vontade em temas como Mama Told Me e Use Me. Ao final vem a doce My Darling Love, e Mia se despede. Palcos maiores seriam exagerados para ela. Seus maiores shows devem ser feitos nos espaços mais aconchegantes.

Alex Silva/Estadão
Walter Wolfman Washington durante apresentação no Bourbon Festival, em São Paulo, nesta quarta-feira, 20

Walter Wolfman Washington é o que se pode chamar de uma lenda nas ruas de New Orleans. O último festival da cidade, realizado neste ano, contou com dois shows lotados do guitarrista. E uma de suas apresentações disputadas na DBA, da Frenchman Street, virou um disco gravado ao vivo que o Bourbon vendia a R$ 40. Como Mia, ele também libertou-se do blues puro para fazer funk, soul e R&B. Canta sobre harmonias que lembram Al Green e faz caminhos melódicos com a voz como Otis Redding. Tem a seu lado um saxofonista e um trompetista, um baixista veterano e um baterista. Como acontece nas noites de New Orleans, seus shows são para seguir o instinto e dançar muito. Chance que a ruidosa plateia do Bourbon perdeu.

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