AFP PHOTO / Paul FAITH
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Bob Geldof devolve prêmio de Dublin compartilhado com líder de Mianmar

Mais de 600 mil muçulmanos de Mianmar fugiram para campos de refugiados depois que operações militares descritas pela ONU como uma faxina étnica foram lançadas em reação a ataques de militantes rohingyas

Reuters

13 Novembro 2017 | 11h17

DUBLIN - O músico e ativista antipobreza irlandês Bob Geldof devolverá o prêmio “Liberdade da Cidade de Dublin” à sua cidade natal nesta segunda-feira, 13, dizendo que não pode continuar a compartilhar a honraria com a líder de Mianmar, Aung San Suu Kyi.

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Mais de 600 mil muçulmanos de Rakhine, um Estado de Mianmar, fugiram para campos de refugiados de Bangladesh depois que operações militares descritas pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma faxina étnica foram lançadas em reação a ataques de militantes rohingyas.

O sofrimento dos rohingyas vem causando revolta em todo o mundo e pedidos para que Suu Kyi seja despojada do Prêmio Nobel da Paz que recebeu em 1991 por não ter repudiado as ações dos militares de Mianmar.

“Tenho orgulho de ser dublinense, mas minha consciência não me permite continuar sendo um dos poucos homenageados que receberam esta grande honra enquanto Aung San Suu Kyi continuar sendo um deles”, disse Geldof em comunicado.

“Em resumo, não quero ser associado de maneira nenhuma a um indivíduo atualmente envolvido em uma faxina étnica em massa do povo rohingya no noroeste de Burma.”

Suu Kyi, antes renomada por seu ativismo em prol dos direitos humanos, foi posta sob prisão domiciliar quando lhe outorgaram o prêmio “Liberdade da Cidade de Dublin” em 1999 e recebeu o prêmio em uma recepção pública na Irlanda em 2012, dois anos após sua libertação.

No mês passado a cidade universitária de Oxford, onde ela estudou, a privou de uma honraria semelhante.

Entre os outros estrangeiros contemplados com o “Liberdade da Cidade de Dublin” desde que ele começou a ser concedido, em 1876, estão John F. Kennedy, Nelson Mandela e Mikhail Gorbachev.

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