Björk mostra no TIM Festival por que é uma artista rara

Cantora islandesa faz festa simbólica vikinkg e ousa ao mudar o formato conservador do rock

Jotabê Medeiros, do Estadão,

27 Outubro 2007 | 10h46

De um lado da platéia, o artista plástico Tunga. De outro, os cantores Milton Nascimento, Lenine e Marina Lima. A apoteose de Björk, com seu pequeno exército de fadas islandesas, movimentou grande parte da intelectualidade nacional e tomou de assalto o Rio de Janeiro na abertura da edição carioca do TIM Festival 2007. Globais como Thiago Lacerda e estrelas da música, como a matogrossense Vanessa da Matta, estava quase todo mundo lá na Marina da Glória na noite de sexta.     Galeria de fotos   E parece que ninguém se decepcionou. Fazendo uma espécie de festa simbólica viking, uma ritualização dos ritos de fertilidade, caça, colheita, viagem, partida e chegada de uma cultura extinta, Björk mostrou por que é uma artista extremamente rara. Ela abriu com Earth Intruders, do disco novo, Volta; depois emendou Hunter, primeira canção de Homogenic (1997) e a seguir tocou Pagan Poetry (segunda canção de seu quarto disco, Vespertine de 2001). Até um batidão de "samba" entrou na parada.   É uma das artistas mais ousadas da cena musical em todos os tempos. Como desafiava o maestro Rogério Duprat, quem teria coragem de mudar o formato conservador do rock com sua dependência crônica da guitarra, baixo e bateria? Björk tem a coragem. Dois tecladistas, um percussionista, um piloto de laptop e um coro feminino de tubistas, trompistas, trompetistas no palco. No começo a voz estava inaudível, mas depois acertaram o som.   Uma abordagem de ópera, um túnel do tempo entre o medieval e o eletrônico, uma roupa dourada de libélula e pequenos truques carnavalescos: estava montado o coquetel que deliciou a platéia boquiaberta do TIM no Rio. A tecneira se encontra com suas motivações primitivas, a pulsão do sangue, em Innocence. No final, até Björk ficou encantada com a reação elétrica da platéia. Voltou para um bis que parecia uma roda de capoeira esquimó, com a canção Declare Independence (também de Volta, seu novo álbum). Björk, a pequena islandesa voadora, venceu de novo.   Set list do show:   1. Earth Intruders 2. Hunter 3. Pagan Poetry 4. Unravel 5. Pleasure is All Mine 6. Jóga 7. Desired Constellation 8. Army of me 9. Innocence 10. I miss you 11. Wanderlust 12. Cover me 13. Hyperballad 14. Plútó 15. Declare Independence

Mais conteúdo sobre:
Tim Festival Björk

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.