Fernando Pires/Roadie Crew/Divulgação
Fernando Pires/Roadie Crew/Divulgação

Banda sueca Opeth mobiliza a nova e a velha guarda do metal em São Paulo

Grupo europeu se apresentou neste domingo, 9, com o novo disco 'Sorceress'

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

10 Abril 2017 | 14h58

Opeth está naquele seleto grupo de bandas que não se encaixam em nenhum gênero musical e, ao mesmo tempo, está em todos. As muitas fases da banda, que teve início nos anos 90, já seriam suficiente para comprovar isto. O grupo, que saiu de um distante death metal em Orchid, em 1995, veio neste domingo, 9, ao Carioca Club, em Pinheiros,  zona oeste de São Paulo, renovado em um rock progressivo de fala tranquila, ar de melancolia e muita poesia.

Ser fã da banda é estar constantemente aberto às inovações sonoras que marcaram a trajetória do grupo desde o início. O novo trabalho Sorceress, lançado no ano passado, é quase uma antítese de tudo que já foi lançado até então pelo quinteto formado por Mikael Akerfeldt (vocal), Joakim Svalberg (teclado/vocal), Fredrik Akesson (guitarra/vocal), Martin Axenrot (bateria) e Martin Mendez (baixo).

A diferença do Opeth para outras bandas que tiveram início no death metal é notada em seu público. Estão ali os cabeludos que vibram com os álbuns Ghost Reveries (2002) e Blackwater Park (2001), mas também há os ouvintes fora do habitual. São aqueles fãs que observam, de braços cruzados e atenção minuciosa, do fundo de seus óculos quadrados, cada riff, cada acorde, cada solo. Não que estes desprezem a brutalidade dos guturais já não tão potentes de Arkerfeldt. Mas o que importa de verdade é como o novo álbum consegue mesclar a psicodelia e os sons setentistas ao peso tradicional dos sons.

O grupo subiu ao palco às 20h em ponto, conforme noticiado pelos organizadores. Abrem logo pela Sorceress, que dá título ao último álbum. Sem surpresa, os novos e velhos fãs cantam cada frase da faixa, que tem quase seis minutos de duração. Não conhecesse a trajetória da banda, um espectador poderia se surpreender com o soco no estômago que é a faixa seguinte, Ghost of Perdition, do clássico  Ghost Reveries (2005). Nesta passagem de uma faixa a outra está toda a síntese do que é o Opeth: da renovada disputa de guitarras e  teclados ritmados às as letras obscuras e atmosfera assombrosa com uma voz cavernosa. 

Akerfeldt arrisca um "obrigado" em português e é só isto que sabe dizer aos fãs. Mas nem por isso para de falar. Ele cita as bandas brasileiras que conhece - Sarcófago, Sepultura, Vulcano. E para confirmar o que todo mundo já sabia naquela casa lotada, reclamou do calor, muito diferente dos ares gelados da Suécia. 

O show continua numa sequência que tem de Demon of the Fall e The Wilde Flowers às baladas Face of Melinda e a belíssima In My Time of Need. Apesar de todo o esforço, há certa dificuldade em acompanhar as músicas do começo ao fim. Não por má vontade dos fãs, mas porque a maioria das músicas da banda têm perto de 10 minutos de duração, marca característica do grupo. São riffs que se repetem por quatro, oito, doze compassos ininterruptos e, com eles, a cadência da banda se revela.

Discografia. O que se vê é uma tentativa de agradar a todos - que mais tarde se revela bem sucedida -, seja com The Devil's Orchard, da nova leva criativa do grupo vista no álbum Heritage (2011), ou Deliverance, música que dá nome ao álbum que sucedeu Blackwater Park e é considerado um dos melhores do Opeth. A faixa é a despedida da banda, que promete retornar ao Brasil em breve. Podemos acreditar, já que não é a primeira vez dos suecos em território brasileiro.

Mesmo com a longa duração das faixas, o set se desenrola sem cansaços para nenhum dos lados. Os músicos têm presença de palco e, - na medida do compativel com estilo das músicas - dialogam com o público, que pede tantas músicas que seria impossível atender a todas as demandas. A vasta discografia não permitiria isso. O resultado é satisfatório: o quinteto conseguiu mobilizar a nova e velha guarda e, ainda assim, apresentar Sorceress em toda sua capacidade.

Mais conteúdo sobre:
Metal Rock São Paulo Suécia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.