Banda brasileira ensandece público no Rock in Rio Lisboa

Terra Celta, de Londrina (PR), faz plateia dançar até levantar uma nuvem de poeira na Rock Street

Jotabê Medeiros, enviado especial, O Estado de S. Paulo

01 Junho 2014 | 08h28

LISBOA - Tocando música folk irlandesa e escocesa, usando o kilt (aquele saiote escocês) e esfolando instrumentos insólitos como bouzouki, hurdy gurdy e nyckelharpa, o grupo Terra Celta revelou-se um assombro no Rock in Rio Lisboa. Fez quatro apresentações no festival e a resposta do público é extraordinária: centenas de pessoas fazem rodas de pogo na frente do pequeno palco onde os rapazes tocam, na Rock Street (uma espécie de parque temático do rock dentro do festival). Dançam e cantam junto com a banda, e não querem deixá-los encerrar a apresentação – que nem o barulho dos palcos principais nem os aviões que passam rente aos telhados na hora do show (o aeroporto fica nas imediações) conseguem incomodar.

Vindos de Londrina (PR), os rapazes do Terra Celta tinham experiência internacional zero. Tocaram na edição brasileira do Rock in Rio, no ano passado, mas sem um milionésimo da repercussão daqui. Quem os descobriu foi o diretor artístico da Rock Street, Bruce Henry. “Vi no Youtube no final de 2012, começo de 2013. Não tinha como não dar certo, tinha?”, perguntou Henry, devolvendo pergunta da reportagem.

“Fazem uma mistureba danada e a plateia adora. Têm carisma e personalidade”, explicou o criador do festival, Roberto Medina, que ao lado da mulher, Mariana, assistiu ao show diversas vezes na plateia, entusiasmado com o resultado da sua aposta. “Acho que o som que fazem encontrou mais identificação com as plateias portuguesas, então tem essa farra fantástica”, afirmou Henry.

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Sem experiência nos palcos internacionais, Terra Celta alcançou repercussão inesperada na edição portuguesa do Rock in Rio
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A banda canta sobre temas determinados, como bebida, ressaca, sexo, com algumas gags musicais no meio. É uma música ingênua, com uma proposta ainda em formação e sem muito compromisso com a invenção – há muitas citações de rock clássico, mangue beat e até uma balada ecológica no meio.

Mas o cerne é uma performance frenética de dança e uma proposta de interação contínua. Nesse quesito, o responsável pela conflagração do público é o vocalista (e violinista, e gaitista, e tocador de nyckelharpa) Élcio de Oliveira Filho, que tem uma abordagem de saltimbanco clássico. É tremendamente habilidoso e cara-de-pau, o que só o credencia mais para a tarefa. “O que facilita muito é que a gente fala uma língua muito parecida”, brincou Élcio com a plateia, que agora já o adora desde criancinha.

Na frente do palco da Rock Street, por volta das 20h, quando tocam os Terra Celta, há uma nuvem de poeira que parece um fog daqueles de Loch Ness. Mas é o resultado do público dançando como doido no chão de terra batido, e a poeira é ignorada. Do lote de brasileiros no festival, foi até agora o que teve resposta de público mais imediata e inequívoca.

Acostumados a shows no Valentino, em Londrina, Élcio e Luiz Fernando Nascimento Sardo (baterista),Alexandre Garcia (acordeão), Edgar Nakandakari (banjo, mandolin, penny whistle, clarinete, gaita de fole e hurdy gurdy), Eduardo Brancalion (guitarra, violão e bouzouki) e Bruno Guimarães (baixo) deverão agora encontrar uma maneira de fazer a ponte aérea Londrina-Lisboa com mais frequência, porque arrebanharam um respeitável público por aqui.

 

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