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Cultura

Leo Gandelman

Baixista Alberto Continentino recria saborosa sonoridade sessentista no primeiro disco

O clima retrô de ‘Ao Som dos Planetas’

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Adriana Del Ré,
O Estado de S.Paulo

31 Dezembro 2015 | 04h00

Alberto Continentino é como uma ilha cercada de música por todos os lados. Está no DNA dos Continentinos e dos Gandelmans, os dois lados de sua família. Alberto é sobrinho do saxofonista Leo Gandelman, neto de uma professora de música e um compositor, arranjador e produtor musical, e filho de mãe musicista e pai pianista. Os irmãos, Kiko e Jorge Continentino, trilharam a carreira de músico, depois seguida por Alberto. Aprendeu primeiro violão, aos 9 anos, mas incorporou outros instrumentos às suas habilidades. Dedicou-se com afinco aos estudos, mas foi incentivado pelos irmãos, já na adolescência, a colocar os ensinamentos em prática.

Apesar de Alberto ser multi-instrumentista, foi com o baixo que ele se destacou, acompanhando artistas como Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, Ed Motta, entre muitos outros. São 20 anos de carreira profissional. Hoje, Alberto está com 37 anos e a bagagem acumulada ao longo da vida, somando o que cresceu ouvindo – muito jazz, bossa nova e João Donato – e o que agregou à sua formação nesse tempo todo tocando com outros artistas, fez com que o músico planejasse o próprio disco. Seu álbum de estreia, Ao Som dos Planetas, começou a ser feito há 4 anos, na gravidez de seu primeiro filho, Ian, atravessou a gestação de sua filha mais nova, Laila, e finalmente foi lançado este ano.

Alberto já compunha músicas instrumentais, escrevia arranjos, mas a vontade de fazer composições para serem cantadas foi se cristalizando aos poucos. “Tive a ideia de fazer um disco quando comecei a achar que as coisas que eu estava compondo tinham uma identidade, porque, com tanta referência de tudo o que eu já toquei e já ouvi, não queria fazer um disco com cada música de um jeito”, explica o músico. “Comecei a compor músicas para serem cantadas, era uma época que eu estava tocando muito com Domenico, Kassin, Moreno, fazendo a turnê deles, eles me estimularam muito a começar a compor.”

Nasceu assim um disco integralmente autoral, que reúne 11 canções, algumas delas assinadas com os amigos Moreno Veloso (Tic Tac) e Domenico Lancellotti (Sistema de Som, Tudo e Naufrago), os letristas para as melodias criadas por Alberto. Em Ao Som dos Planetas, ele imprime uma deliciosa sonoridade retrô, sessentista. E, para construir essa estética, ele teve uma ajuda providencial de Kassin, com quem divide a produção. Festejado no meio pelo bom trânsito que faz entre os mais diversos universos musicais, Kassin ainda colabora em grande parte das faixas como músico, nas quais saca seus instrumentos ‘mágicos’. “Kassin conhece tudo de música e da parte técnica de estúdio, ele é a pessoa que faz como ninguém a ligação dessas duas pontas. Quando ele entendeu que a cara do disco tinha essa coisa anos 1960, ele levou para o estúdio uma porção de equipamento dele, além de ter tocado também. A guitarra dele dá uma característica boa para o disco.”

E, apesar da distância entre a gravação e seu lançamento, Ao Som dos Planetas exibe uma unidade sonora coerente, apurada, – e não dá indícios de qualquer ruptura de tempo ou espaço. O baixista explica que a parte da gravação do álbum foi rápida, o que demorou mais foi a fase de finalização. “Depois que tivemos nosso filho Ian, parei um pouco com o processo, aí nasceu a nossa outra filha. Durante uns 2, 3 anos, não fizemos nada além de cuidar dos filhos e de trabalhar, e o disco ficou um pouco em segundo plano, mas nunca parei. Foi só um processo devagarzinho, fui mixando aos poucos”, conta ele.

O time de músicos do álbum é de primeira linha, e inclui nomes como Donatinho e o tio Leo Gandelman. A mulher de Alberto Continentino e mãe de seus dois filhos, Vivian Miller, participa também do disco, fazendo um contraponto suave – e muitos pa-pa-pa-pás vocais – nos duetos com o músico, que se assume intérprete de suas canções. Aliás, foi a estreia dos dois como cantores. “Eu pensava em gravar um disco e ter convidados, chamar Moreno para cantar uma música, Adriana (Calcanhotto) para cantar outra, mas acabaria ficando um disco com cara de projeto, e não de um disco mesmo, de carreira. Resolvi encarar, mas encaramos de uma maneira tranquila, leve. Agora que começamos a fazer show, o desafio é ainda maior.”

Para 2016, Alberto planeja lançar um outro disco, Ultraleve, instrumental. E já pensa em mais um álbum, para o qual começou a compor. Ele vem apresentando essa novíssima safra em seus shows, junto com faixas ainda frescas de Ao Som dos Planetas. Mas, desta vez, ele garante, o novo álbum sairá mais rápido.

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