Owen Sweeney/Invision/AP
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Aretha Franklin ainda reina no soul

Cantora de 73 anos continua em plena forma e, como prova, lança seu 38º disco em que retrabalha antigos sucessos; ouça versões

Scott Mervis , PITTSBURG POST-GAZETTE

11 Maio 2015 | 03h00

Recentemente, Aretha Franklin esteve na Casa Branca, em Washington, onde cantou para o presidente Barack Obama. Ela está acostumada a este tipo de apresentação. Já cantou para Jimmy Carter e para Bill Clinton, e recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade do presidente George W. Bush.

Nem é preciso dizer que, aos 73 anos, Aretha é uma das artistas mais condecoradas da história. Ela foi a primeira artista aceita no Hall da Fama do Rock and Roll. Foi a primeira na lista da Rolling Stone das 100 Maiores Cantoras de Todos os Tempos. Recebeu 18 Grammys (para artistas mulheres, superada apenas por Beyonce), e é doutora Honoris Causa por Yale, Princeton e pelo Berklee College of Music, de Boston, entre outros.

Mas o título mais importante é talvez com que foi coroada quase no começo de sua carreira, e que será sempre seu: o de Rainha do Soul. Ela tinha então por volta de 25 anos. 

“Aconteceu quando eu estava no Royal Theatre de Chicago, uma espécie de The Apollo de Nova York”, afirma. “Um dos DJs de lá, Pervis Spann, uma noite veio até o palco com uma coroa na mão e eu pensei: ‘Uau, o que será isto?’” Ela gostou muito: “Quem não gostaria de ser chamada de Rainha?” Isto aconteceu em 1967, quando Aretha, que ainda adolescente cantava em “turnês com as caravanas gospel”, fez um sucesso espantoso com o álbum que é considerado por muitos o maior dela, I’ve Never Loved a Man the Way That I Love You

Ela estreava na Atlantic Records, gravado em Muscle Shoals, Alabama, com a famosa Muscle Shoals Rhythm Section, e a faixa principal foi um cover da canção de Otis Redding, Respect, com alguns pequeno acréscimos, porque se tratava da versão para a cantora de uma música cujo autor era um homem. “Minha irmã Carolyn e eu trabalhamos a música”, disse. “Carolyn era uma artista da gravadora RCA Victor, e também cantou comigo por muitos anos, no back vocal. Naquela época, a frase ‘sock it to me’ era muito popular, e decidimos colocá-lo na música. Em seguida, veio a comédia para a TV, Laugh In, que aproveitou o nosso ‘sock it to me’ (slogan de campanha de Richard Nixon na época), transformando-a uma música tocada em todo o país. Ela tornou-se viral”.

Respect, graças a uma das suas interpretações mais fogosas, tornou-se seu primeiro grande sucesso na juventude (ela voltou a ter o mesmo sucesso em 1987 com um dueto com George Michael, I Knew You Were Waiting for Me). Respect também se tornou seu prefixo musical, e desde então o hino do movimento feminista.

Ela não o achou que fosse tanto assim na época, mas, afirma: “Certamente era apropriado. E então foi promovido a hino do movimento pelos direitos civis. Mulheres e crianças são as pessoas menos respeitadas. Agora estamos conseguindo o que nos é devido – indubitavelmente, as mulheres estão se destacando em muitos campos”.

Respect abriu a porta para outros clássicos: You Make Me Feel Like a Natural Woman, Think, Chain of Fools, Spanish Harlem, etc.

Naquele tempo, ela já era uma experiente veterana do palco e pronta para usar a coroa. Já havia sido mentora de cantores no programa de calouros American Idol, contudo, está feliz porque, no seu caso, o seu sucesso não veio por este caminho.

“O que mais me agrada é que saí lá de baixo – não foi uma coisa que aconteceu da noite para o dia, por isso foi extraordinário. Aconteceu um pouco de cada vez. Eu estava lá naquele universo inferior que Lou Rawls chamava o Chitlin’ Circuit (somente para artistas e público negro). Eu tinha o menor camarim da história, com uma cadeira, um espelho e algumas caixas atrás de mim. Se você pisasse um pouco mais à direita, já estava fora do camarim.” 

Quando sua carreira teve uma queda no final dos anos 1970, conseguiu voltar a fazer sucesso sob a direção de Clive Davis, na gravadora Arista. Depois de uma pequena participação como convidada, em que roubou o show no filme The Blues Brothers, ela continuou e ganhou seu primeiro álbum de platina, Who’s Zoomin’ Who?, em 1985, e uma série de sucessos, inclusive Freeway e Sisters Are Doin’ it for Themselves (com os Eurithmics). 

À pergunta se há uma canção em seu repertório que considere a mais importante, diz: “Elas são como meus filhos; todas são importantes para mim”. No seu álbum mais recente, o de número 38, são os filhos dos outros.

Aretha Franklin Sings the Great Diva Classics traz sucessos retrabalhados como Midnight Train to Georgia, I Will Survive e Nothing Compares 2 U.

Ela tem uma fórmula simples para abordar uma canção que alguém já tornou famosa, como Rolling in the Deep, da cantora Adele. “Eu gosto de cantá-la. Gostava de como ela a cantava; assisti a um dos seus vídeos onde um monte de crianças no ônibus a cantava e se divertia imensamente. Pensei: ‘É esta, vou me divertir um bocado porque gosto realmente dela’”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA 

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