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Anunciado lançamento de 'The Endless River', novo CD do Pink Floyd

Jotabê Medeiros - O Estado de S. Paulo

07 Julho 2014 | 09h 13

Trabalho deve chegar ao mercado em outubro e terá material inédito

Reprodução
Anunciado lançamento, em outubro, de "The Endless River", novo álbum do grupo Pink Floyd

Texto atualizado às 19h15

A fonte é um tabloide, mas a notícia foi confirmada pela banda: em outubro, sairá um novo disco do grupo, cujo retorno, tirando os Beatles, é um dos mais sonhados pelos fãs do rock do mundo todo, o Pink Floyd.

Há 20 anos, em 1994, já sem o baixista Roger Waters, a banda britânica Pink Floyd lançou aquele que é considerado o último álbum do grupo, The Division Bell, que continha 11 composições originais. Como quase tudo que leva sua assinatura, aquele disco, feito pelo trio David Gilmour (guitarra), Richard "Rick" Wright (teclados) e Nick Mason (bateria), vendeu como água no deserto. Teve uma canção vencedora do Grammy, Marooned.

E colecionou resenhas negativas - afinal, não era um álbum do grupo inteiro reunido, e o baixista Waters é tido como um dos mentores de alguns dos melhores discos da banda. Predominavam os climas criados pela guitarra de Gilmour, agora sozinho na liderança. O tecladista Rick Wright (que compôs o clássico The Great Gig in the Sky) morreria de câncer em 2008, aos 65 anos, o que tornou ainda mais rarefeita a possibilidade de uma nova reunião.

Vinte anos depois de Division Bell, em 2014, a banda anuncia a intenção de lançar um novo disco do Pink Floyd, o seu 15.º álbum de estúdio, trabalho que teria se iniciado justamente naquele momento em que fizeram o "último álbum". Surge então um “novo” último álbum, apropriadamente batizado de The Endless River (O Rio sem Fim).

A notícia chegou oficialmente ontem pelo Twitter, em um post da mulher do guitarrista David Gilmour, Polly Samson. Ela chamou o novo disco de “o canto de cisne de Rick Wright."

A cantora Durga McBroom-Hudson, que excursionou tanto com Gilmour quanto com o Pink Floyd, confirmou que o disco vai ser "todo de inéditas" e o tabloide The Sun on Sunday sustenta, citando uma fonte próxima do grupo, que o álbum significará algo “o mais próximo possível de um retorno do Pink Floyd."

Durga revelou em sua página no Facebook que está envolvida desde o início no projeto, e o disco originalmente se chamaria The Big Spliff e que a banda pretendia que fosse inteiramente instrumental. Mas Gilmour foi mudando de ideia gradativamente e chamou a cantora para gravar vocais em uma das canções em dezembro.

A morte de Rick Wright foi um duro golpe nos fãs mais extremados da banda, que alimentam a esperança de vê-la reunida de novo. A banda rachou em 1985, numa separação ruidosa e cruel. Em 1987, sem Roger Waters, eles excursionaram e gravaram A Momentary Lapse of Reason e, em 1994, fizeram a turnê mais rentável da História (até aquela altura) após o lançamento de Division Bell. Depois, separaram-se mais uma vez.

Em 2005, após 24 anos, o núcleo central da banda (com David Gilmour, Roger Waters, Nick Mason e Rick Wright) voltou a tocar junto em uma única ocasião, no festival beneficente Live 8, no Hyde Park, em Londres. Waters e Gilmour, apesar de cavalheirescos, mal se falaram no palco.

"Meu maior erro foi quando deixei o Pink Floyd, em 1985, permitindo que me empurrassem para o bate-boca público e dizendo coisas desagradáveis sobre os outros caras da banda. Volto atrás naquilo. Se eu tivesse sido um pouquinho mais sábio, teria mantido minha boca fechada", disse Waters, em 2007.

Segundo Waters, a apresentação no show beneficente Live 8, que reuniu todos, poderia ter sido a pá de cal nas diferenças entre eles. "Acho que o Live 8 deu a oportunidade às pessoas de dizer: 'Ahá, saquei: esse é o cara que escreveu as canções', e fazer a conexão. Depois que deixei a banda, em 1985, eles excursionaram em 1987 e em 1994, e acho que fiquei como o cara marrento que deixou o grupo amuado. Depois do Live 8, devem ter pensado: 'Bem, ele não era tão marrento, afinal de contas'. Eu realmente me diverti no Live 8. Fui até lá com a cabeça e o coração abertos".

No livro Inside out - A Personal History of Pink Floyd, em que conta suas memórias, o baterista Nick Mason fala de como o baixista tentou demitir Rick Wright e Gilmour durante as sessões de gravação de The Wall, dando um “gelo” no tecladista.

Foi demais para os outros integrantes. Richard William Wright tinha sido um dos fundadores do Pink Floyd, ao lado do baterista Nick Mason e do próprio Waters em 1965, quando estudavam arquitetura na Regent Street Polytechnic, em Londres. O vocalista e guitarrista era então Syd Barrett. O nome do grupo foi tomado emprestado a dois astros do rhythm’n’blues da época, Pink Anderson e Floyd Council. A banda se tornou uma das mais influentes da História (116 milhões de discos vendidos e 25 anos no topo das paradas).

O jornal inglês Sun on Sunday afirmou ainda que Roger Waters não estará envolvido no novo trabalho (o que parece óbvio, já que é um trabalho produzido durante a separação), e porta-vozes da banda informaram que não haverá turnê de lançamento da obra. Mas a cantora Durga McBroom-Hudson atiça os fãs: alerta na rede social para que fiquem ligados, acenando que uma turnê pode, sim, acontecer.

Relembre alguns sucessos do Floyd: