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Sérgio Castro|Estadão

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Alcione

Androginia soturna do cantor Johnny Hooker chega a São Paulo

Músico pernambucano, que chama a atenção pela performance e técnica vocal apurada, faz show na capital paulista neste sábado, 30

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João Paulo Carvalho,
O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2016 | 21h46

Em junho do ano passado, quando Johnny Hooker subiu ao palco do Prêmio de Música Brasileira para interpretar a canção Lama, famosa na voz de Maria Bethânia, o pernambucano impressionou a todos. Ao lado de Alcione e da atriz Letícia Sabatella, o músico de apenas 28 anos fez uma apresentação enérgica e repleta de intensidade. Na ocasião, ele levou o prêmio de melhor cantor de canção popular. A potência da voz de Hooker somada ao talento nato para atuar fazem do jovem uma joia rara na música brasileira nos dias atuais. Ele, que se apresenta neste sábado, 30, no Sesc Belenzinho, consegue, de maneira quase que natural, mesclar leveza e agressividade tanto nos agudos quanto nos graves vocais.

Durante a performance de 2015, Hooker usou botas, calça colada e uma camisa com transparência em tons de preto. Adepto do visual andrógino, o delineador pesado nos olhos já se tornou marca registrada do artista. “Meu objetivo também é desconstruir gêneros. Isso acaba acontecendo de forma inconsciente por causa da maneira que me visto e toco”, diz o músico em entrevista ao Estado.

A miscelânea sonora de Johnny Hooker passa por uma infinidade de ritmos. Do brega ao frevo, sem hesitar. “Tem uma elitização na música brasileira de que o rei é só o Roberto Carlos. No entanto, existe um outro rei no Nordeste chamado Reginaldo Rossi, nossa maior referência brega. Ter crescido no meio desse caldeirão de ritmos do Recife – frevo, samba e maracatu – me favoreceu musicalmente”, afirma.

Às vésperas de lançar o clipe da música Segunda Chance, que integra seu mais recente trabalho, Eu Vou Fazer Uma Macumba pra Te Amarrar, Maldito! (2015), Johnny Hooker tem uma carreira curta, porém intensa. As músicas Alma Sebosa e Amor Marginal fizeram parte da trilha sonora das novelas Geração Brasil (2014) e Babilônia (2015), respectivamente. Na última semana de exibição de Babilônia, Amor Marginal chegou a substituir Pra Que Chorar, cantada por Mart’nália, na abertura. “A gente fica um pouco encabulado com tamanha repercussão. Não esperava ver uma música minha no horário mais nobre da televisão brasileira. É coisa de orgulho de vó, sabe”, brinca.

Além de músico, Johnny Hooker também é diretor e ator. Em Geração Brasil, interpretou o personagem Thales Salgado. No cinema, produziu o curta Classic, ainda não lançado, e atuou em Tatuagem, do diretor Hilton Lacerda. “Acho que cantar e atuar estão no campo das artes. Uma coisa acaba puxando a outra, apesar de serem distintas. Facilita na hora de subir no palco e fazer aquela performance”, complementa.

Os shows de Hooker costumam ser soturnos, com interpretações e desconstruções de conceitos e estereótipos. “O tempo dissolve a dor. Sofrer de amor passa e, quando isso acontece, você nem percebe. Sempre tem o dia seguinte. Tu simplesmente acorda, faz suas coisas e não pensa naquela pessoa. É uma vitória. Esse, portanto, é o conceito do meu show, que começa frenético, passa pela dor e sofrimento, e termina com a alegria do carnaval. O carnaval, nesse contexto, chega para revigorar as energias, fazendo com que a angústia chegue ao fim.”

Homossexual assumido, Johnny Hooker não se considera um militante das causas GLBTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais). “Se ir para a Parada Gay e falar abertamente sobre sua sexualidade em entrevistas forem indícios de militância, pode-se dizer que luto, sim, pelas causas GLBTT. Todavia, tem sempre algo a mais que a gente pode fazer. Existe um pouco de postura política no meu trabalho, mas não me considero um ativista. A mudança precisa ser maior. Militante, para mim, é alguém quer larga a vida para defender uma causa”, conclui.

JOHNNY HOOKER

Sesc Belenzinho. Rua Padre Adelino, 1.000, tel. 2076-9700. Sábado, 30, 21h30. Ingressos esgotados.

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