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JF Diório | Estadão

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Análise: Titãs abrem noite dos Rolling Stones com arsenal pesado

Banda usou suas maiores forças de repertório para se defender das condições adversas impostas às bandas de abertura

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Julio Maria,
O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2016 | 20h54

Os Titãs provaram que sim, é possível abrir o show de um monumento como os Rolling Stones com dignidade. As condições nunca serão ideais, como foi visto nesta quarta-feira, 24, no Morumbi. A luz estava confusa e o som, irregular,  mas um grupo que está na estrada há mais de 30 anos entende do negócio.  Sem o som a seu favor,  eles tinham de trazer sua munição mais pesada.  E assim fizeram, por quase uma hora.

Havia dois terços da área Vip ocupada durante o show. O que quer dizer que a imagem que viam do palco era a seguinte: um amontoado na frente, uma clareira um pouco mais adiante, uma grade separando os fãs em duas classes econômicas e, depois, o público mais quente, além dos anéis das arquibancadas. E só lá atrás é que o show parecia pegar mais.

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A chuva caiu durante todo o tempo. Não era forte,  mas desgastava. Mais um desafio para a banda de abertura. Sem discursos políticos nem discussões com a plateia,  como fez Roger,  do Ultraje a Rigor na abertura do Rio,  o quarteto (mais o baterista Mario Fabre), não viraram notícia.  E fizeram uma demonstração de força. 

Foram stonianos em um sentido: trouxeram a produção que os ergueu. Não havia tempo para canções novas. Só foram um pouco mais longe quando emendaram o refrão de Fardado,  lançada no ótimo disco Nhengatu,  de 2015,  ao fim de Polícia. E fizeram entender que uma completa a outra.

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Falaram pouco e tocaram muito. Começaram com Lugar Nenhum e seguiram com Aa Uu,  Diversão,  Flores e Comida. Seguiram com o clima sombrio de Cabeça Dinossauro e só então Sérgio Britto se dirigiu ao público com mais tempo. "Essa música que vamos tocar é de 1987 mas poderia ter sido feita ontem". E arremessaram as pedras de Desordem. O rock politizado tem as podridões do Brasil a favor de sua longevidade.

Seguiram com a festa de Homem Primata e depois vieram com Polícia, que ganhou uma introdução de pouco efeito prático com a manchinha de carnaval Acorda Maria Bonita. Paulo Miklos fez tudo ficar atual de novo ao dizer que Bichos Escrotos era inspirada nas ruas de São Paulo.  A adrenalina estava grande e tudo saía mais acelerado do que o normal. Miklos entrou atropelando a contagem de Mário Fabre. O final teve o único ato populista extra-repertório dos Titãs.  Raul Seixas salvou um final que poderia ter sido morno com Aluga-se. Curioso como Raul é sempre evocado por bandas diante de grandes públicos. Mas os Titãs já tinham justificado o convite para a abertura. Fizeram uma aparição cheia de dignidade.

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