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Análise: Rolling Stones em Cuba, uma banda apolítica no último reduto socialista do Ocidente

- Atualizado: 25 Março 2016 | 06h 00

A ‘invasão’ da banda a Cuba é uma praticamente inédita tomada de posição da banda – ou, pode ser também, que eles só quisessem tocar num lugar que nunca tocaram, com uma vista legal, para milhares de pessoas. E só.

Rolling Stones desembarcam em Havana
Rolling Stones desembarcam em Havana

“Estamos muy felices de tocar para ustedes”, diz, num espanhol com fonemas do português brasileiro, Mick Jagger, em um vídeo divulgado pelos Rolling Stones como um prenúncio ao show – histórico – de hoje.

É histórico porque é o maior já realizado na ilha, e é histórico porque até quando o Audioslave tocou lá, em 2005, houve comoção. Além dos Stones, poucas estrelas de primeira grandeza da música pop botaram os pés, profissionalmente, em Cuba (Johnny Cash, Stephen Stills, Billy Joel e Dizzy Gillespie foram raras exceções), e sempre houve um contexto político a ser debatido ou, no mínimo, levado em conta.

O mais curioso é que seja uma banda essencialmente apolítica, como os Stones, que esteja prestes a marcar a entrada, talvez em definitivo, do show biz no último reduto socialista do Ocidente.

+ Os Rolling Stones, enfim, em Cuba

Nos anos 1960, pouco depois de Fidel Castro assumir o governo de Cuba, os Stones fizeram algum barulho nas rádios e incomodaram setores conservadores da sociedade com sua imagem de bad boys moldada pelo empresário Andrew Loog Oldham. “Você deixaria sua filha casar com um Stone?”, dizia o slogan famoso. A banda ocupou também manchetes policiais, após investigações e uma ou outra prisão por porte de drogas, mas, desde o início dos anos 1970, ficou fora do debate.

Afora Street Fighting Man (eu vou gritar e berrar, eu vou matar o rei, cercar todos os seus servos), quem se lembra de outra música claramente política dos Stones? Ninguém – é porque elas não existem. Highwire, do álbum Flashpoint, de 1991, esbarra na questão das guerras e, em 2005, no bom disco A Bigger Bang, a música Sweet Neo Con era uma mensagem direta contra a administração Bush…, mas para por aí.

A ‘invasão’ dos Rolling Stones a Cuba é uma praticamente inédita tomada de posição da banda – ou, pode ser também, que eles só quisessem tocar num lugar que nunca tocaram, com uma vista legal, para milhares de pessoas. E só.

Show Rolling Stones em Cuba
Alejandro Ernesto/EFE
Show dos Rolling Stones em Havana

Rolling Stones, com Mick Jagger, Ronnie Wood, Keith Richards e Charlie Watts fazem apresentação histórica em Havana, em Cuba 

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