JF DIORIO / ESTADÃO
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Análise: Foo Fighters e sua fórmula de sucesso em São Paulo

Liderada por Dave Grohl, a banda, que se apresentou na sexta-feira no Morumbi, ratifica rótulo de a melhor em atividade

João Paulo Carvalho, O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2015 | 18h26

O Foo Fighters é a melhor banda de rock em atividade. Não é preciso se esforçar muito para concordar com a afirmação acima, ainda que você torça o nariz para Dave Grohl e sua trupe. Nenhum outro grupo na atualidade leva mais de 50 mil pessoas para o longínquo estádio do Morumbi, na zona Sul de São Paulo, em uma chuvosa noite de sexta-feira, dribla alguns problemas de som e, por quase três horas, não deixa que o show caia na mesmice. Tudo isso porque Grohl tem a fórmula do sucesso: interage com o público na hora certa, distribui os hits dos mais de 20 anos de carreira de forma precisa e, de quebra, não subestima a plateia. O Foo Fighters sabe da força da sua trajetória. “Acho que nesta noite vamos tocar músicas do primeiro e do segundo disco. Do terceiro também, claro. E do quarto. Quer saber? Que tal tocarmos músicas de todos os álbuns?”, brinca.

Ex-baterista do Nirvana, Grohl parecia fadado ao fracasso depois da trágica morte de Kurt Cobain, em 1994. Sem sal e apático, diziam alguns. Fato é que ele se reinventou. Formou o Foo Fighters, compôs uma infinidade de hits e está sempre desafiando a si mesmo. Prova disso é Sonic Highways (2014), último disco lançado pela banda. Musicalmente contraditório, mas com uma proposta inovadora e interessante, o trabalho tira o grupo da zona de conforto. Produzidas com uma série de TV exibida pela HBO, as oito faixas do álbum foram gravadas em diferentes cidades dos EUA. 

Grohl tropeçou no palco, comandou um pedido de casamento e mostrou que o maior ícone recente da história do rock pode e deve idolatrar suas referências. Apresentou a banda ao som de Rush e Black Sabbath, além de tocar covers respeitosos de Rod Stewart, Queen e Kiss. O show do Foo Fighters passa por todas as fases do conjunto. As guitarras pesadas de Grohl, Pat Smear e Chris Shiflett dão mais corpo aos hits que estão na boca do público, de Learn to Fly, passando por Breakout e Skin and Bones, o que muitas vezes acaba surpreendendo até mesmo o fã mais fiel. “Nós temos outras músicas. Essa já foi, pessoal”, ironiza Grohl ao se deparar com um coro que parecia interminável em Best of You.

O ponto alto da apresentação ocorre quando a banda se dirige a um pequeno palco no meio do público. O quinteto faz isso por intermédio de uma passarela que fica bem acima dos fãs. Lá, Grohl solta a voz em Times Like These e Detroit Rock City, clássico do Kiss. “Vocês sabem que nós fazemos música há muito tempo. Há mais de 20 anos e, felizmente, não nos esquecemos de alguns shows. Podem ter certeza de que jamais tiraremos essa noite da cabeça”, afirmou em alto e bom som.

O carisma de Grohl é espontâneo, o rock, feroz, e a presença de palco, natural. Nada na apresentação parece ser encenado. 

O primeiro show próprio do Foo Fighters na capital paulista superou as expectativas. Além de São Paulo, a banda também se apresentou em Porto Alegre e Rio. Na quarta, será a vez de Belo Horizonte receber os norte-americanos. 

Mesmo com um som relativamente baixo nas três primeiras músicas, o Foo Fighters deu uma verdadeira aula de rock ‘n’ roll. Grohl é um rock star de primeira linha. Se em 1995, quando a banda lançou seu primeiro álbum, tínhamos um frontman ainda amedrontado pela morte de Kurt, compondo e tocando quase todos os instrumentos, hoje, 20 anos depois, temos um Grohl mais forte e parrudo, um dos símbolos dos anos 90 e a prova empírica de que o rock segue vivo. Os fãs agradecem.

ALTOS E BAIXOS

Intimista

A banda foi até um pequeno palco no meio do público. Lá, tocaram canções como ‘Detroit Rock City’, do clássico do Kiss. Os fãs deliraram.

Tilt 

O som deixou a desejar no início do show. Muitas pessoas na pista e nas cadeiras reclamaram do volume baixo.

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