Doron Gild
Doron Gild

'A sociedade está cada vez mais sombria e doente', diz Andy Bell, do Erasure

Dono de hits dançantes, duo britânico lança novo álbum e resgata clima saudosista

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2017 | 05h00

O nome Erasure pode até soar estranho para quem ouve assim, repentinamente. Fato é que o synthpop vibrante e cheio de gás do duo britânico Vince Clarke e Andy Bell encantou o mundo e dominou as danceterias no final da década de 1980 e começo dos anos 1990.

Figurinha batida nos sets de todas as casas noturnas da época, os ingleses alcançaram o topo das paradas de sucesso e venderam milhões de discos. Hits como A Little Respect, Love To Hate You e Oh L’Amour deram à banda o rótulo de queridinha das pistas de dança. “É estranho olhar para tudo isso e perceber quão rápido o tempo passou. Não tem como negar que nossa imagem está associada aos anos 1980. Crescemos muito ali, na verdade”, afirma Andy Bell em entrevista ao Estado por telefone. 

Homossexual assumido e militante das causas LGBT, Andy não poupa palavras na hora de mostrar seu descontentamento com o preconceito que ainda enfrenta. “Avançamos muito em relação aos direitos gays, mas o mundo ideal ainda está muito distante de nós. Dizer que isso é uma aberração ou um problema, como já ouvi por aí? Isso simplesmente não entra na minha cabeça. A sociedade está cada vez mais sombria e doente. Me entristece escutar coisas assim”, complementa. 

Na ativa desde 1985, o Erasure chega a 2017 com um novo álbum de estúdio. O excelente World Be Gone, que resgata os melhores momentos do duo, será lançado em 19 de maio. Em tempos soturnos e esquizofrênicos, as composições do disco trazem uma atmosfera vibrante e otimista perante os fatos ruins que têm tomado conta do planeta nos últimos tempos. “Todo mundo merece ser feliz. Isso não deveria ser um objetivo, mas pré-requisito para acordar todos os dias. Acho que minha função como músico também é propagar sentimentos bons. Portanto, o clima, digamos, para cima de World Be Gone é proposital. Não foi por acaso. Um trabalho mais animado acaba atraindo energias positivas”, diz Andy.

Canções como Love You To The Sky, A Bitter Parting, Take Me Out Of Myself e Sweet Summer Loving, por exemplo, externam bem essa sensação otimista do novo trabalho do Erasure. “Tivemos todo um cuidado para resgatar a essência do nosso som, que é, de fato, uma coisa mais dançante”, lembra Andy, que confessa o “descuido” com os discos de estúdio anteriores, Snow Globe (2013) e The Violet Flame (2014). “Faltou um pouco de nós mesmos ali. Acho que isso serve para motivar a fazer algo mais legal”, conclui ele.

Memória. As recordações de Andy Bell sobre o Brasil dividem-se em momentos antagônicos. Quando a banda veio pela primeira vez a São Paulo, em 1997, no extinto festival Close Up Planet, o Erasure ficou incumbido de abrir os trabalhos para David Bowie. À época, eles foram recebidos pelo público com vaias, palavrões e objetos atirados no palco. “Eu me recordo bem daquele dia. Não foi tão legal. Éramos, na verdade, os intrusos. As pessoas estavam lá para ver o Bowie, algo completamente justificável”, conta Andy de maneira simpática. 

Alguns anos depois, em 2011, a banda voltou à cidade. A recepção foi completamente diferente. Com um show enérgico, o Erasure animou o grande público presente no local. “Foi como fazer as pazes com a plateia”, brinca Andy, que garante que o Brasil está no radar para futuras apresentações: “Devemos passar por aí em 2017, em nossa turnê mundial”, garante ainda Andy.

FAIXA A FAIXA

Love You To The Sky

Resume perfeitamente a essência do novo disco

Be Careful

Música mais dançante

World Be Gone

Mantém clima otimista

A Bitter Parting

Melhor música do duo

Still It's Not Over

Ao estilo Depeche Mode

Take Me Out Of Myself

Pior música do novo disco

Sweet Summer Loving

Animação na medida certa

Oh What A World

Segura a boa atmosfera

Lousy Sum Of Nothing

Um ritmo frenético

Just A Little Love

Romantismo na medida certa

  A Little Respect

Love To Hate You

Oh L'Amour

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