Vinte poemas inéditos de Neruda são encontrados no Chile

Textos são da fase madura do poeta e descoberta é classificada como "acontecimento literário"; leia um trecho

EFE

18 Junho 2014 | 11h26

Mais de vinte poemas inéditos do poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973) foram encontrados durante uma revisão dos arquivos do autor por parte da Fundação Pablo Neruda, anunciou nesta quarta-feira, 18, a editora Seix Barral, que deve publicá-los no final de 2014 na América Latina e em 2015 na Espanha.

Os poemas foram encontrados em caixas que continham manuscritos das obras do poeta, durante uma revisão exaustiva por parte da Biblioteca da Fundação Pablo Neruda, sob a direção de Darío Oses. Na revisão foi comprovado que alguns poemas de “extraordinária qualidade” não haviam sido publicados nas obras correspondentes a cada caixa.

A publicação desse material inédito – considerado o mais importante até agora – do Prêmio Nobel de Literatura de 1971 coincidirá com o aniversário de 110 anos do nascimento do poeta e o aniversário de 90 anos da publicação de Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada. Para a editora, a certificação de autoria desses poemas “os converte no maior achado da literatura hispânica nos últimos anos, um acontecimento literário de importância universal”. Os inéditos encontrados estão datilografados.

A relevância dos poemas reside no fato de que foram escritos depois de Canto Geral (1950), época da maturidade de Neruda. Antes desses, apenas dois trabalhos inéditos tinham sido encontrados – O Rio Invisível (1980), que incluía poesia e prosa da juventude, e seus poemas de adolescência (Cadernos de Temuco, 1996).

O poeta e acadêmico Pere Gimferrer, que está empenhado na publicação dos novos inéditos, acredita que nos novos poemas estão “o poder imaginativo, a transbordante plenitude expressiva e o mesmo dom, a paixão erótica e amorosa” de Neruda. “Ali se encontra o mesmo Neruda de Odas Elementales e de La Barcalora”, diz.

A editora Seix Barral adiantou nesta quarta um fragmento de um poema sem título, escrito em 1964, mesmo ano em que é publicado Memorial de Isla Negra:

"Reposa tu pura cadera y el arco de flechas mojadas

extiende en la noche los pétalos que forman tu forma

que suban tus piernas de arcilla el silencio y su clara escalera

peldaño a peldaño volando conmigo en el sueño

yo siento que asciendes entonces al árbol sombrío que canta en la sombra

Oscura es la noche del mundo sin ti amada mía,

y apenas diviso el origen, apenas comprendo el idioma,

con dificultades descifro las hojas de los eucaliptos"

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