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GIUSEPPE CACACE|AFP

Último livro de Umberto Eco será antecipado pela editora

Lançamento seria apenas em maio; na terça-feira, 21, será realizado o funeral do autor de 'O Nome da Rosa'

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Redação,
O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2016 | 21h29

O italiano Umberto Eco planejava lançar mais um livro este ano. Ao jornal La Repubblica, seu editor disse que a coletânea Pape Satàn Aleppe estava prevista, inicialmente, para maio. Com a morte do escritor na última sexta-feira, 19, seu lançamento foi antecipado para o próximo fim de semana. A edição brasileira da obra ainda não foi confirmada. 

Trata-se de uma seleção de textos da coluna que Eco assinava na revista l’Espresso, a Le Bustine de Minerva, desde 2000. Seu último artigo foi publicado no dia 27 de janeiro e era dedicado à mostra Hayez, em cartaz em Milão até este domingo, 21. 

Recentemente, Eco abriu uma editora, La Nave di Teseo, ao lado de Elisabetta Sgabi e de outros escritores. Foi um movimento em resposta à atual situação do mercado editorial italiano – o maior grupo de lá pertence à família Berlusconi. Seu último livro sairá, então, por sua editora.

Morto aos 84 anos em decorrência de um câncer, o autor de O Nome da Rosa, que vendeu nada menos do que 30 milhões de exemplares no mundo todo e foi traduzido para 40 idiomas, entre tantos outros livros que foram sucesso de crítica e de público, continuou recebendo homenagens durante todo o sábado – de políticos, acadêmicos, escritores e de sua legião de fãs.

No Twitter, o escritor italiano Roberto Saviano reproduziu a última frase de O Nome da Rosa – “Nomina nuda tenemus” (sobre o fato de que ao final só resta o nome das coisas) – e completou com “Adeus, professor”. 

A escritora Elisabetta Sgarbi, sua sócia na novata editora, disse que Eco foi “uma grande enciclopédia viva” que ensinou aos jovens “a capacidade de amar as descobertas e maravilhas”.

François Hollande, presidente da França, referiu-se a Eco como um “imenso humanista” e acrescentou que as bibliotecas perderam um leitor insaciável, que as universidades perderam um professor deslumbrante e a literatura, um escritor apaixonado.

Já o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi disse que Umberto Eco reunia “um conhecimento único do passado e uma inesgotável capacidade de antecipar o futuro”. Dario Franceschini, ministro da Cultura, descreveu Eco como “jovem e impetuoso até seus últimos dias”. Para ele, o autor foi responsável por levar a literatura italiana ao resto do mundo. Além do thriller medieval que virou best-seller internacional, ele escreveu outras importantes obras, como O Pêndulo de Foucault e Não Contem Com o Fim do Livro.

Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, disse: “Eco deixa uma herança de ideias culturais, romances e ensinamentos que vão durar para sempre”.

Em seus últimos anos de vida, Umberto Eco manteve-se ativo em suas atividades acadêmicas e literárias, participando de conferências e de festivais literários e escrevendo para diversas publicações. Recentemente, publicou Número Zero, obra que acompanha um grupo de jornalistas que prepara uma edição experimental de um novo periódico. Seus livros voltados ao público geral são editados, aqui, pela Record. Já suas obras de semiótica, em sua maior parte, estão no catálogo da Perspectiva.

Umberto Eco nasceu em Alexandria, cidade perto de Turin, no dia 5 de janeiro de 1932. 

O funeral do escritor será na terça-feira, 23, no Castelo de Sforza, em Milão. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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