Sophie Hannah propõe novo caso complexo para Hercule Poirot

Escritora britânica coloca o personagem criado por Agatha Christie às voltas com enigma na Irlanda

Patricia Rodríguez, EFE

09 Outubro 2016 | 14h59

LONDRES - A escritora britânica de romances noir Sophie Hanna traz novamente à vida o peculiar detetive Hercule Poirot, criação da venerada Agatha Christie, em seu novo livro Caixão Fechado, lançado agora em espanhol.

Com apoio do seu sucesso entre os críticos alcançado em 2014 com Os Crimes do Monograma, quando a família Christie a encarregou de resgatar o investigador belga 40 anos após sua morte literária, Sophie apresenta outro caso complexo, ambientado numa casa de campo em County Cork (Irlanda).

Em entrevista concedida à EFE em Londres, a autora de Manchester garante que o processo de criação da nova trama foi “muito semelhante” ao do livro anterior, pois “os dois romances começaram pelo fim”.

“Tive uma ideia pela qual me apaixonei e sabia como seria a solução do mistério”, explicou a escritora, que planejou “minuciosamente" cada detalhe do caso, cuja publicação também coincide com o centenário da criação do personagem Poirot.

Indagada a respeito da dificuldade de manter-se fiel ao legado da venerada autora e, ao mesmo tempo, a si mesma, Sophie indicou que se propôs a “não copiar” Agatha Christie - “seu estilo é como uma impressão digital” -, mas não podiam faltar “todos os elementos que tornaram seus romances tão fantásticos”.

A autora de thrillers psicológicos, cujos romances de suspense já foram publicados em mais de 20 países, incorporou um elemento único ao inventar um novo personagem, o jovem detetive Edward Catchpool, da Scotland Yard, com quem Poirot faz amizade, ajudando o meticuloso policial a interpretar cada pista.

Sophie, para quem os escritores são “tipos neuróticos”, construiu uma das personagens, Lady Athelinda Playford, escritora de romances infantis detetivescos, com base “no curriculum vitae da autora Enid Blyton”, mas com particularidades inspiradas inspiradas em sua própria personalidade.

"Definitivamente não me baseei em Agatha Christie e, se ela parece com alguém, é comigo, pois tem ideias inesperadas, e normalmente me ocorrem ideias ou planos fantásticos que todos estranham”, explicou Sophie, que se autodefine como “uma pessoa bastante otimista”.

Ambientada na Irlanda de 1929, a nova narrativa tem início quando a já mencionada Lady Playford convida um pequeno e variado grupo de pessoas a passar uma semana em sua casa de campo, em Lillieoak.

Além do filho, Harry, e a filha, Claudia, e os respectivos cônjuges, também são citados o secretário pessoal e sua enfermeira, dois advogados, o sagaz Poirot e Edward Catchpool.

“Athie" - diminutivo pelo qual a chamam seus convidados - anuncia que os herdeiros da fortuna não serão seus filhos, como era previsto, e sim o secretário, Joseph, que sofre de uma doença terminal e é surpreendido pela notícia.

Diante do estupor dos convidados, que não deixam de se indagar por que a anfitriã decidiu deixar sua fortuna para alguém de fora da família e, ainda mais, sofrendo de uma doença mortal, um deles é assassinado no melhor estilo Agatha Christie.

Nesse livro, Poirot, com sua "cabeça oval, sapatos pequenos e inconfundível bigode”, como o descreve Catchpool num dos capítulos, “é cada vez mais o mentor” do policial da Scotland Yard, ao mesmo tempo que este “vai ganhando confiança e se sente mais capaz de resolver sozinho as situações”.

O bisneto de Christie, James Prichard, revelou hoje à EFE que não está descartada a possibilidade de Sophie Hannah continuar a escrever histórias com Poirot, mas, no momento, esse é um projeto que será desenvolvido “passo a passo”. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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