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Literatura

Amanda Perobelli

ENTREVISTA: Ruth Rocha

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Ruth Rocha

Ruth Rocha lança caixa com quatro livros infantis, em coautoria com o artista Otávio Roth

Escritora publica dois textos inéditos na coleção 'Coisinhas à Toa Que Deixam a Gente Feliz'

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Amilton Pinheiro

18 Março 2017 | 04h00

Ruth Rocha tem muito da personalidade de Emília, criada pelo autor que ela nunca deixou de ler, Monteiro Lobato. Considera-se, assim como a boneca de pano, uma transgressora e libertária.

Aos 86 anos, a autora de Marcelo, Marmelo, Martelo, que voltou a figurar em lista dos mais vendidos, lança uma caixa com quatro livros, em coautoria com o artista plástico Otávio Roth (1952-1993). Coisinhas à Toa Que Deixam a Gente Feliz terá sessão de autógrafos neste sábado, dia 18, a partir das 14 horas, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho.

A escritora paulistana, que tem mais de 200 títulos em catálogo, vendeu 30 milhões de exemplares e recentemente teve um de seus livros indicado na lista da Internacional Board on Books for Young People, dos EUA, fala sobre quando foi apresentada às histórias infantis e a importância de sua formação em sociologia e política, que moldou os temas abordados em seus livros.

A sra. poderia comentar sobre seu nome figurar na lista da International Board on Books for Young People, que recentemente elegeu os livros mais atraentes da literatura juvenil, publicados nos EUA. Mais um reconhecimento na carreira?

Sim, apesar de ser um reconhecimento internacional, é sempre mais difícil de conseguir. Eu tive outros importantes, mas um reconhecimento assim, nunca tinha tido.

Duas escritoras brasileiras ganharam o Prêmio Hans Christian Andersen, considerado uma espécie de “Nobel” da literatura infantil: Lygia Bojunga, em 1982, e Ana Maria Machado, em 2000. Em algum momento seu nome foi cogitado para o prêmio?

Eu fui indicada (pelo Brasil) apenas uma vez, quando lancei na Organização das Nações Unidas, um livro sobre a Declaração dos Direitos Humanos, mas já foi bom representar o País na profissão que abracei. 

A sua parceria com o artista plástico Otávio Roth tinha resultado em alguns livros como Azul e Lindo: Planeta Terra Nossa Casa. Como nasceu esse projeto da coleção Coisinhas à Toa Que Deixam a Gente Feliz?

Era uma projeto que queríamos ter feito antes, mas que fomos adiando. Infelizmente, ele morreu, aí a nossa “caixinha” de pequenas coisas da vida ficou adormecida. Quando a editora falou que ia lançá-lo com as ilustrações de Mariana Massarani, escrevi os textos dos meus dois livros que são inéditos, especialmente escritos para esse projeto. São textos em formato de versos, que falam das pequenas coisas do cotidiano que passam despercebidas na correria do nosso dia a dia. No dia do lançamento, vamos montar a obra A Árvore, que o artista Otávio Roth fez, em 1990, em um evento nas Nações Unida, quando foi lançado Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Muitos críticos de renome colocam Emília ao lado de Capitu, de Machado de Assis, como as duas personagens mais importantes da literatura brasileira. Você concorda?

Como não poderia concordar? Emília é um primor de coerência, de vida, de entusiasmo, de graça. Ela é o alter ego de Lobato, que era um homem irrequieto, transgressor, com um humor inteligente, um libertário acima de tudo, que fez do <CF742>Sítio do Pica-Pau Amarelo</CF> um microcosmo da sociedade que ele idealizava.

O que a motiva a continuar escrevendo?

Minha paixão pela palavra, pelas histórias que li quando criança, o meu encantamento em viajar por aqueles mundos inimagináveis.

Muitos dos seus livros falam sobre o poder, os problemas sociais, a intolerância, essa recorrência temática nos seus textos tem a ver com a sua formação de socióloga?

Muito. De alguma maneira, em todos os meus livros, discuto os problemas sociais, a questão de como o poder na política afeta o nosso dia a dia, assuntos que fizeram parte da minha formação em sociologia na Escola de Sociologia e Política da USP. Eu escrevi sobre vários reis, que eram contra a censura, contra o autoritarismo, sobre a indiferença dos governantes com o povo, etc. Engraçado como nunca exerci a própria sociologia, mas acho que minha formação de escritora se deu na faculdade. Fui aluna de Sérgio Buarque de Holanda que era uma pessoa muito inteligente e divertida. Ele nos levou certa vez a Ouro Preto, e usou um livro de viagens que o poeta Manuel Bandeira tinha lançado em francês, e ele mostrava os pontos turísticos da cidade usando as expressões em francês desse livro. Nunca mais esqueci daquilo.

Lançamento:

COISINHAS 

À TOA QUE 

DEIXAM A 

GENTE FELIZ

Autores: 

Otavio Roth e Ruth Rocha 

Editora: Salamandra (32 págs., 

R$ 42)

Lançamento:

Livraria da Vila. R. Fradique Coutinho, 915. 14 h. <MC><QA0>

Hoje, 18/3

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