Morgan Library & Museum
Morgan Library & Museum

Pesquisa mostra que Jane Austen pode ter morrido por envenenamento

A causa da morte da escritora britânica é discutida há anos e o arsênico surge agora como uma nova possibilidade

Christopher D. Shea e Jennifer Schuessler, The New York Times

30 Maio 2017 | 16h31

LONDRES - A causa da misteriosa morte de Jane Austen aos 41 anos de idade é discutida há anos. Foi um problema hormonal? Câncer? Complicações por beber leite não pasteurizado?

Nova pesquisa realizada pela British Library sugere uma possibilidade mais dramática: envenenamento por arsênico.

Pesquisadores da biblioteca, trabalhando com o optometrista londrino Simon Barnard, examinaram recentemente três pares de óculos que pertenceram a Jane Austen e afirmam que há evidências que sua visão estava gravemente deteriorada nos últimos anos de vida. 

Essa deterioração sugere catarata e catarata pode indicar envenenamento por arsênico. Sandra Tupen, curadora dos arquivos e manuscritos da biblioteca escreveu em um blog no website da instituição que “se Jane Austen desenvolveu catarata, como indicariam os óculos, uma causa provável seria um envenenamento acidental com um metal pesado como é o arsênico”.

A revelação acrescenta um toque dramático ao 200º aniversário de morte da escritora, ocorrida em 1817, semanas depois de ela ter viajado para Winchester em busca de auxílio médico. Os óculos, que não se pode dizer com absoluta certeza que pertenceram a Jane, foram legados à biblioteca há alguns anos por parentes da escritora. 

“Sabíamos que ela tinha problemas de visão, porque em diversas ocasiões se referiu a isto”, disse a curadora, enfatizando que os óculos não indicam que alguém estava disposto a assassinar Jane Austen, autora de Orgulho e Preconceito. Tal possibilidade foi sugerida no romance A Morte Misteriosa de Jane Austen, de 2013, da escritora Lindsay Ashford, que afirma ter encontrado indícios em escritos de Jane e outras fontes sugerindo um envenenamento por arsênico. 

O arsênico era frequentemente encontrado na água, em remédios e mesmo no papel de parede à época em que Jane viveu, sublinhou a curadora, e um envenenamento não intencional com arsênico era “muito comum”, disse ela.

O exame de todos os objetos pertencentes a Jane, desde clipes de papel que prendiam seus manuscritos até restos de escritos sempre constituíram uma atividade artesanal para os acadêmicos. Mas nem todos aceitam a tese do arsênico.

Janine Barchas, especializada nas obras da escritora na Universidade do Texas, em Austin, qualificou a tese do arsênico um “salto quântico” e referiu-se à postagem no blog como “um pouco temerária”.

A especialista realizou também um estudo intensivo a respeito, resumido num novo documento, Speculations on Spetacles: Jane Austen’s Eyeglasses, Mrs Bate’s Spectacles and John Saunders em ‘Emma’, a ser publicando pela revista Modern Philology

No documento ela e a coautora Elizabeth Picherit desenvolvem uma tese sobre a saúde de Austen no final da sua vida e o seu ambiente social com base nos seus romances, na sua vida e seus óculos.

Deirdre Le Faye, crítica independente que vive em Londres, publicou recentemente um estudo em que sustenta que Jane Austen morreu acometida da doença de Addison. Segundo ela, embora Jane possa ter ingerido arsênico em remédios, outros elementos oferecidos pela análise biográfica da British Library parecem menos convincentes.

Segundo postagem da Library, “o último par de óculos é muito forte, ela talvez estivesse quase cega no final da sua vida”, diz a crítica, mas afirma que Jane estava escrevendo cartas “com perfeita habilidade” seis semanas antes da sua morte. A deterioração rápida da vista teria de ser muito repentina para se ajustar à análise da biblioteca”, disse ela.

Tradução de Terezinha Martino

Mais conteúdo sobre:
Jane Austen Literatura Literatura Inglesa

Encontrou algum erro? Entre em contato

0 Comentários

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.