FELIPE RAU|ESTADÃO
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Pesquisa indica que maioria dos brasileiros ainda não conhece o livro digital

Quarta edição da Retratos da Leitura no Brasil também aponta que maioria dos leitores de e-books usam o smartphone para a atividade

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

19 Maio 2016 | 16h33

A mais recente edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada na quarta-feira, 18, mostrou que apenas 4% das pessoas que já leram um livro digital o fizeram num aparelho dedicado, os chamados e-readers. A maioria dos consumidores de livro digital usa para ler celulares ou smartphones (56%), computador (49%) ou tablet (18%) - veja o gráfico abaixo.

Outro dado que chamou atenção na “seção digital” da pesquisa é que 59% dos entrevistados nunca tinham ouvido falar em e-book - 7% deles se mostraram interessados em conhecer a tecnologia.

“O primeiro dado não surpreende, o Brasil é país do tablet e do smartphone”, diz Carlo Carrenho, especialista em mercado editorial e diretor do site Publishnews. O diretor da distribuidora digital Bookwire Brasil, Marcelo Gioia, por outro lado, acredita que o número é muito baixo. “Alguma coisa não bate. Se a gente simplesmente pegar os livros vendidos, com os fabricantes, já ultrapassa esse número”, diz. “Uma coisa é ter um e-reader, outra é ler com ele”, compara.

Gioia faz uma ressalva: “esta é uma pesquisa de comportamento, não mercadológica. Algumas questões ficaram nebulosas e confusas”.

Uma delas, por exemplo, diz respeito à forma como os leitores de livros digitais tiveram acesso ao e-book. A pergunta era “o sr(a) teve acesso a esses livros de que forma?”. 88% dos entrevistados dizem “baixou gratuitamente da internet”, e só 15% “pagou pelo download”. Mas a apresentação não deixa claro quando uma pessoa já fez as duas coisas, por exemplo.

O crescimento do número de pessoas que já ouviram falar em e-book era esperado: em 2011, eram 30%; em 2015, 41%. Porém, a maioria ainda não ouviu falar na tecnologia.

“Considerando o Brasil, acho que é um número alto, mas seria legal ter um detalhamento melhor sobre a distribuição regional desse dado”, diz Carrenho. “Se você for ver na Linha Verde do Metrô, esse número vai ser bem menor”, compara. De qualquer forma, ele acredita que poderia haver um investimento maior em publicidade conceitual por parte das empresas (Amazon, Kobo e Saraiva).

Um dado positivo para o digital é que um em cada três "leitores" do total da pesquisa declararam ter lido um e-book. "Leitor" é quem leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos 3 meses.

Outro fator relacionado ao digital que aparece na pesquisa é o local de leitura. Trabalho, meios de transporte e “parques, praças, shopping, praia ou clubes” são os lugares em que o digital tem maior participação (14%, 15% e 14%, respectivamente), em contraste, por exemplo, com casa (6%), sala de aula (3%) e bibliotecas (2%).

“Mas o digital aparece em todas as áreas, vejo isso com certo otimismo”, analisa Carrenho, do Publishnews. “O potencial é maior do que as vendas, desafio do mercado é buscar como equilibrar isso”, conclui.

A literatura (livros como romances, contos ou poesia) é o assunto que lidera o índice de leitura de livros digitais - 47% dos leitores de livro digital leem mais literatura do que outras coisas. Livros técnicos ou de formação vêm em segundo lugar (33%), seguidos de livros escolares ou didáticos (21%) e religiosos (8%).

 

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