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Oswald de Andrade está entre os grandes vanguardistas em exposição na França

- Atualizado: 16 Janeiro 2016 | 04h 00

Mostra em Paris destaca autores de vanguarda que foram decisivos

PARIS -  Quando se fala em literatura brasileira na França e na Europa, nomes como o de Guimarães Rosa ou Jorge Amado, ou ainda Machado de Assis, continuam a ser a referência. Mas é o percurso de Oswald de Andrade que está em destaque entre obras de grandes pintores modernos, como Pablo Picasso, nos corredores da exposição permanente do Centro Georges Pompidou, em Paris. O autor do Manifesto Antropófago é o brasileiro entre os autores de vanguarda modernista que são objetos da mostra Museum Live, do Museu Nacional de Arte Moderna.

A exposição foi aberta aos convidados na quinta-feira, 14, e ao público na sexta, e, dessa mostra maior, faz parte a “exposição-dossiê” dedicada ao autor brasileiro, chamada Oswald de Andrade: Passeur Anthropophage. Cada escritor selecionado pela Museum Live é destaque de um corredor, no qual são destacados trabalhos de suas autorias, obras de outros artistas e documentos que ajudem a explicar seu percurso artístico. Entre os homenageados, estão André Breton, Gertrude Stein, Blaise Cendrars e Aimé Césaire, autores determinantes para a vanguarda do século 20.

Rerodução de fotografia de Oswald de Andrade, exibida no Museu da Língua Portuguesa, em 2011
Rerodução de fotografia de Oswald de Andrade, exibida no Museu da Língua Portuguesa, em 2011

Os murais dedicados ao brasileiro foram organizados por Leonardo Tonus, professor de literatura brasileira da Sorbonne, em colaboração com Mathilde Bartier, responsável pela apresentação das coleções modernas do Centro Pompidou, e por Julie Champion, adjunta de conservação. A lembrança de Oswald de Andrade como um dos pioneiros, e logo como uma das referências mundiais do modernismo, partiu dos organizadores, que demonstraram interesse em incluir informações sobre a Antropofagia Cultural na mostra.

Entre as obras que compõem os murais dedicados a Oswald de Andrade, estão quatro telas: Cuca (1924), de Tarsila do Amaral, O Menino e os Bichos (1925), de Rego Monteiro, O Retrato da Alma do Professor Rivet (1952), de Flávio de Carvalho, e Dança Popular Brasileira (1937), de Di Cavalcanti.

Em meio às pinturas, estão fotografias obtidas com autorização de Marília de Andrade, filha do autor, assim como edições originais de Oswald de Andrade autografadas e dedicadas ao antropólogo Alfred Métraux, ao escritor Valéry Larbaud e ao antropólogo e escritor Claude Lévi-Strauss. Também há uma partitura e documentos sobre Heitor Villa-Lobos, vindos do Rio de Janeiro graças à colaboração da Academia Brasileira de Música. Além, é claro, de um original do Manifesto Antropófago em português, de forma a permitir que o público tenha contato direto com a língua.

 
 

Os documentos estão divididos em cinco temas: a Semana de Arte Moderna; Pau-Brasil – sobre o livro de estreia do brasileiro; as relações entre a cena vanguardista do Brasil e da França, com destaque para o Rego Monteiro; o início do Movimento Antropófago; e o conjunto da antropofagia, com destaque para os autores do momento mais tardio.

“Quisemos constituir uma cenografia que desse um sentido ao visitante. Em cinco minutos, o público precisa adquirir informações sobre quem foi o autor, sua inserção no contexto histórico e seu movimento. É um percurso cronológico”, diz Tonus. “Quando compusemos a sala, fizemos um percurso em que os documentos escolhidos dialogassem entre si, é claro, mas que alguns também pudessem dialogar com obras de outras salas ou de outros corredores. Alguns links eram óbvios, como o de Blaise Cendrars, que remete às próprias obras de Cendrars expostas no Centro Pompidou, ou o quadro de Di Cavalcanti, que lembra alguns do Picasso, expostos perto.”

Já Oswald de Andrade entra como o grande mediador entre a vanguarda brasileira e a vanguarda francesa.

O trabalho de pesquisa realizado por Tonus, Mathilde e Julie foi feito durante seis meses, com apoio de organismos como o próprio Centro Pompidou, mas também a Fundação Biblioteca Nacional, o Museu de Quai Branly, a Fundação Le Corbusier e de universidades.

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