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Nova editora para a arte e cultura clássica estreia no Brasil

- Atualizado: 27 Fevereiro 2016 | 00h 00

Filocalia já começa com oito títulos, que serão lançados em março

Em meio ao tsunami econômico que afeta o mercado editorial, levando ao fechamento de editoras conceituadas, surge uma nova proposta revelada ao Estadão pelo publisher Edson Manoel de Oliveira Filho, fundador da É Realizações, editora que completou 15 anos de existência. Ele lança no dia 8 de março a nova editora Filocalia (palavra grega que significa amor ao belo, ao bom) para publicar títulos nas áreas de artes, cultura clássica, espiritualidade, filosofia e literatura. Com a mesma equipe editorial e comercial da É Realizações, a editora já começa com oito títulos, entre eles um livro para ensinar latim às crianças, um estudo de Santo Agostinho sobre o Sermão da Montanha e uma obra poética do século 17 sobre Fílis e Dáfnis, Metamorfose dos Olhos de Fílis em Astros, de Germain Habert.

Também do mesmo século é a obra Discurso da Reforma do Homem Interior, de Cornelius Jansenius, que, como indica o próprio nome, foi o criador do jansenismo, doutrina que prega o rigor moral e tem nesse livro um resumo do pensamento jansenista sobre o desejo carnal. Na área de artes, dois livros estão programados para o próximo mês: um ensaio do filósofo Michel Henry sobre Kandinski e um estudo sobre os ícones de Andrei Rublev, monge russo do século 15 canonizado pela Igreja Ortodoxa Russa e retratado no épico homônimo do cineasta Andrei Tarkovski (1932-1986).

 

O publisher Edson Manoel de Olliveira Filho, que dirige o grupo É Realizações, dono da Filocalia
O publisher Edson Manoel de Olliveira Filho, que dirige o grupo É Realizações, dono da Filocalia

Tarkovski é um diretor privilegiado pela É Realizações, que já lançou seus diários. Agora, seu editor promete publicar três roteiros inéditos do realizador russo, além de outros ensaios na área de cinema dedicados ao indiano Satyajit Ray (1921-1992) e ao alemão Werner Herzog. Outro título esperado é Reflexões Sobre Meu Métier, livro do dinamarquês Carl Theodor Dreyer (1889-1968), em que o diretor do clássico A Paixão de Joana d’Arc (1929) reflete sobre o cinema como jornalista e crítico que foi antes de se tornar cineasta.

A ideia de montar a editora amadureceu nos últimos quatro anos, conta o editor. O marco zero foi o projeto de uma revista de cultura, esboçada em 2012 e que não chegou a sair. “Ainda que a crise econômica tenha afetado o meio editorial, conseguimos publicar 57 títulos pela É Realizações no ano passado e registramos um crescimento de 40%”, revela o editor. Pela Filocalia, em 2016, devem sair 10 títulos, todos para leitores sintonizados com a cultura erudita dedicada ao sublime e ao poético.

Isso não significa um público reduzido. Best-seller surpreendente da É Realizações, Em Defesa do Preconceito, de Theodore Dalrymple, já vendeu mais de 15 mil exemplares desde que foi lançado, em 2015. Surpreendente porque nele o médico psiquiatra britânico, que trabalhou com doentes mentais em prisões, defende a necessidade de se usar o bom senso quando se trata do preconceito. Segundo o médico, o preonceito pode ser útil em determinadas ocasiões – isso não significa defender a xenofobia ou o racismo, mas admitir que ninguém vem do nada ou sobrevive sem ideias preconcebidas.

Com investimento de R$ 500 mil, a Filocalia nasce sob o signo da excelência gráfica, a partir do logotipo criado pelo premiado designer Alexandre Wollner, veterano paulistano ligado à arte concreta que, aos 88 anos, continua na ativa. Ele assina as capas de alguns títulos lançados pela nova editora, empenhada também em divulgar a obra de dramaturgos como o romeno Matéi Visniec, que passou a ser encenado no Brasil após a publicação de suas peças pela É Realizações. Seu primeiro título dedicado ao público infantojuvenil, O Homem das Neves Que Desejava Reencontrar o Sol, com ilustrações de sua mulher Andra Visniec, sai este ano, que terá ainda a poesia do dramaturgo católico Paul Claudel (Cinco Grandes Odes).

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