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Cultura

Peru

Nos 80 anos de Mario Vargas Llosa, relembre frases do escritor

Prêmio Nobel de Literatura de 2010, ele escreveu, entre outras obras de ficção e não ficção, ‘Conversa no Catedral’

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Redação,
O Estado de S. Paulo

28 Março 2016 | 09h00

Mario Vargas Llosa comemora nesta segunda-feira, 28, 80 anos. Nascido em Arequipa, no Peru, ele é um dos principais escritores de sua geração. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2010, escreveu obras como Batismo de Fogo (1963), Conversa no Catedral (1969), Os Cadernos de Dom Rigoberto (1997), Travessuras da Menina Má (2006), entre outros romances, peças e livros de ensaio. Vargas Llosa é, também, colaborador assíduo do Estado.

Para celebrar o autor no dia do seu aniversário, selecionamos frases de entrevistas e do discurso proferido quando ele foi premiado com o Nobel.

“Por vezes eu pensei se escrever não era um luxo solipsista em países como o meu, onde há escassos leitores, tantas pessoas pobres e analfabetas, tanta injustiça, e onde cultura foi o privilégio de alguns poucos. Essas dúvidas, no entanto, nunca asfixiaram o meu chamado, e eu sempre continuei escrevendo mesmo durante os períodos em que me sustentar absorvia a maior parte do meu tempo.”

“Sem ficções, seríamos menos conscientes da importância da liberdade para que a vida seja vivida e do inferno em que ela se transforma quando é pisada por um tirano, uma ideologia ou uma religião.”

"Há muito mais razões para ser otimista do que pessimista na América Latina. Quando eu era jovem, a América Latina era terra de ditadores. O que sobra agora das ditaduras, como Cuba ou Venezuela, está em fiapos, se desfazendo.

"Nenhum escritor digno desse nome escreve romances só para fazer propaganda de suas convicções políticas. A literatura fica muito deformada se for julgada somente pela ideologia de seu autor.”

“O texto me deu prazer como leitor, mas me ajudou a descobrir o tipo de escritor que eu queria ser. Até aquele momento, eu tendia para ser mais realista, algo que já se confundia com naturalismo na América Latina e que não era criativo, pois estava subordinado à realidade. Com Flaubert (e não apenas em Bovary, mas também Educação Sentimental e sua correspondência), descobri um tipo de realismo que não estava preso a nada, marcado por uma busca da beleza e da perfeição estética, e que podia ser uma literatura delicada sem abandonar o realismo introduzido por Flaubert.” (sobre quando descobriu Flaubert em 1959, ao chegar a Paris)

“Um povo contaminado de ficções é mais difícil de se escravizar que aquele pré-literário, inculto.” 

“A literatura é extremamente útil por ser fonte de insatisfação permanente, o que cria cidadãos descontentes. Às vezes, nos torna mais infelizes, mas também mais livres.”

“Um dos grandes problemas do nosso tempo é a corrupção, que afeta por igual países ricos e em desenvolvimento, democracias e ditaduras. Há um desrespeito generalizado da ética, o que provoca delinquência, especialmente na política. Isso não acontecia antes. É o que explica como governos, embora imundos e apoiados pelo narcotráfico, algumas vezes contam com apoio da população, que acredita ser assim a política.” 

“A boa literatura mantém viva a consciência crítica de uma sociedade.”

"Se tivesse que salvar do fogo apenas um de meus romances, salvaria Conversa no Catedral."

“O desaparecimento do intelectual significa também o desaparecimento das ideias e da razão como um fator central da vida social e política. Hoje em dia, as ideias foram trocadas pelas imagens, que são mais facilmente manipuláveis. Isso é uma grande ameaça para a democracia, pois uma sociedade com escassez de ideias tem suas instituições sob forte risco.”

“As religiões, sem exceção, são intolerantes, pois trazem verdades absolutas, o que não combina com o espírito democrático. Ao mesmo tempo, uma democracia sem uma vida espiritual se converte em uma selva, como já disse Isaiah Berlin, em que os lobos comem todos os cordeiros.” 

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