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No baú de Mário de Andrade há contos inéditos e textos sobre filosofia e arte

- Atualizado: 17 Janeiro 2016 | 16h 07

Especialista na obra de Mário de Andrade, Telê Ancona fala sobre a entrada do autor em domínio público e sobre os projetos de futuras edições

A obra de Mário de Andrade está desde o dia 1.º em domínio público. Se por um lado existe o risco de nos depararmos com textos de Mário de Andrade adulterados, porque se trata de um autor com um projeto linguístico renovador, por outro, edições derivadas da recepção crítica, isto é, seletas e antologias, projetos de críticos literários, em determinadas chaves, serão favorecidas pelo domínio público. Esta é a opinião da professora Telê Ancona Lopez, uma das principais pesquisadoras da obra de Mário de Andrade.

Ela falou ao Estado, por e-mail, sobre projetos futuros envolvendo novos livros do autor de Macunaíma.

Com a entrada em domínio público, sua obra pode ser copiada e editada por qualquer pessoa
Com a entrada em domínio público, sua obra pode ser copiada e editada por qualquer pessoa

A senhora acha que a obra do Mário de Andrade foi devidamente lida pelas gerações que o sucederam?

Quando eu focalizo Mário de Andrade polígrafo, vejo que sua obra tem sido procurada cada vez mais. Ler “devidamente”, parece-me, é buscar conhecê-la mais, sempre, tanto em termos da leitura ampla, como em termos de abordagem crítica, em vários níveis. Seus contos, seu Macunaíma, poemas, estão hoje nas salas de aula do ensino médio, nas classes das universidades, dos cursos livres. Romances seus viraram filmes – Macunaíma, em 1969, e Amar, Verbo Intransitivo, em 1975; foram para o palco do teatro. As dissertações e as teses, no âmbito da literatura, da estética e da história da arte, da música, da etnografia, da correspondência, multiplicam-se no Brasil e no exterior. Esses estudos, mormente aqueles que exploram o arquivo organizado e a biblioteca pessoal de Mário de Andrade, no IEB-USP, têm oferecido novas perspectivas de análise. Além disso, as edições de texto fiel, anotado, de seus livros e da sua correspondência traduzem a leitura pontual, atualizada.

Como ele e o leitor brasileiro podem se beneficiar do domínio público?

O interesse em difundir a obra de Mário de Andrade, éditos e inéditos, tem sido a postura dos herdeiros, da família do autor de Macunaíma. Liga-se principalmente às edições de obras que se prendem a um projeto do autor, chancelando cada título traçado por ele. O domínio público favorece especialmente edições derivadas da recepção crítica, isto é, seletas e antologias, projetos dos críticos literários, em determinadas chaves. Nessa direção, Ivan Marques acaba de organizar Briga das Pastoras e Outras Histórias (Edições SM), livro em que ele reúne contos fora das obras que originalmente os contêm. O domínio público também agiliza a publicação de textos ou excertos longos em periódicos ou em apostilas, para atender uma finalidade didática, em um curso ou seminário. O grande perigo é a disseminação de textos alterados, adulterados, pois, Mário é um escritor difícil por força de seu projeto linguístico renovador.

Há muito material inédito no acervo dele?

Todos os arquivos de escritores têm material inédito. No caso de Mário de Andrade, lembro os inéditos praticamente prontos para publicação e outros, cuja edição está em fase de preparação. O IEB desenvolveu um projeto editorial para as obras do escritor que implica o texto apurado de acordo com as edições em vida e os manuscritos, anotado pelo organizador do título que também seleciona documentos para um dossiê. Retratos, imagens de parcelas do manuscrito, outros textos de Mário complementando o título compõem esse dossiê. No nosso projeto, os livros trazem também ensaios assinados por críticos contemporâneos convidados. Pensamos incrementá-lo com artigos que marcaram a recepção crítica em cada edição. Lembro aqui estes inéditos quase ultimados: Aspectos do Folclore Brasileiro, onde está um ensaio surpreendente, Estudos Sobre o Negro, obra organizada por Angela Teodoro Grillo; Da Tradução, título preparado por Sonia Marrach; Os Filhos da Candinha - Volume 2, trabalho de Gabriela Kvacek Betella, e as Crônicas de Malazarte, ao meu encargo. O importantíssimo Curso de Filosofia e História da Arte está sendo editado por Luciana Barongeno. Cito também estas reedições e seus organizadores: Namoros com a Medicina (Flávia Toni), Aspectos da Literatura Brasileira (Marcos Antonio de Moraes), Modinhas Imperiais (Leandro R. Fernandes e Taís Porto), O Banquete (Lílian Escorel) e O Empalhador de Passarinho (Marina Damasceno Sá). A Coleção Correspondência de Mário de Andrade, projeto IEB-Edusp, têm, prontos, os diálogos epistolares com Prudente de Moraes, Newton Freitas e Fernando Mendes de Almeida, preparados, respectivamente, por Marlene Gomes Mendes, Raúl Antelo e Tatiana Longo Figueiredo.

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