TIZIANA FABI/AFP
TIZIANA FABI/AFP

Mundo da cultura e da política lamenta a morte de Dario Fo

"Hoje morreu o prêmio Nobel mais alegre de todos os tempos", disse o escritor Erri de Luca

O Estado de S. Paulo

13 Outubro 2016 | 09h51

Pilar del Rio, que foi casada com o escritor português José Saramago, lamentou a morte de Dario Fo, nesta quinta-feira, 13. "Ainda estou afetada com a notícia. A única coisa que há a dizer é Ciao Belo, porque sei que foi assim, dessa maneira, que se despediu da mulher, Franca Rame: Ciao Bela. Creio que não se pode dizer mais nada", disse Pilar à Agência Lusa de notícias.

Pilar lembrou ainda de uma história engraçada envolvendo Fo e Saramago. Quando ganhou o Nobel, em 1997, o italiano ligou para o autor português para se desculpar: "Sou um ladrão. Roubei-te Saramago, tu és um grande poeta, um dia será a tua vez", lembra Pilar. "Foi uma coisa assim divertida." Fo previu ainda que Saramago logo ganharia o Nobel, o que aconteceu justamente no ano seguinte.

Na Itália, o mundo da política e da cultura expressou seu pesar pela morte do dramaturgo e ator italiano. 

"Itália perde um de seus grandes protagonistas do teatro, da cultura e da vida civil. Sua sátira, sua investigação, seu trabalho em roteiros, sua poliédrica atividade artística ficam como legado para o mundo de um grande italiano", escreveu o presidente do Governo italiano, Matteo Renzi, em comunicado. Com a notícia da morte de Dario Fo, foi interrompida uma sessão no senado e os parlamentares fizeram um minuto de silêncio em homenagem ao Prêmio Nobel de Literatura de 1997.

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O ministro de Cultura do país, Dario Franceschini, também lamentou a morte Dario Fo, lembrando "a alegria nos olhos" do dramaturgo durante a inauguração do museu dedicado a ele em Verona. 

O escritor Roberto Saviano assegurou que "deve tudo" a Dario Fo e a sua mulher, Franca Rame, que morreu em maio de 2013. "A dor que sinto agora não tem medida, assim como o reconhecimento a um verdadeiro gênio, não apenas no teatro e na literatura, como na vida", escreveu Saviano. 

O também escritor e jornalista Erri de Luca destacou: "Hoje morreu o prêmio Nobel mais alegre de todos os tempos. No lugar de uma lágrima, devemos a ele um sorriso".

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