Brandi Simons/The New York Times
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Morte de Yevgueni Yevtushenko põe fim à era dos poetas que lotavam estádios de futebol

Conseguiu algo extraordinário, ser admirado por partidários do regime e dissidentes, comunistas e liberais, russos e americanos

Ignacio Ortega , EFE

05 Abril 2017 | 16h57

MOSCOU - Com a morte do grande escritor russo Yevgueni Yevtushenko, que morreu no último sábado, 1, nos Estados Unidos aos 84 anos, se encerra uma era, a dos poetas soviéticos que lotavam estádios de futebol após a morte de Stalin.

"Um poeta na Rússia é mais que um poeta", costumava dizer Yevtushenko, frase que se transformou em seu credo vital e literário.

É difícil de acreditar nos tempos das redes sociais e do lazer interativo, mas no final dos anos 50 e nos anos 60 na União Soviética, dezenas de milhares de pessoas iam aos estádios não para assistir a jogos de futebol ou a comícios, mas para escutar seus poetas preferidos, autênticos ídolos das massas.

Em meio ao degelo político e cultural aberto pela chegada ao poder de Nikita Kruschev (1953-1964), os cidadãos soviéticos tinham nas estrofes e poemas o mais valioso dos tesouros.

Assim como Bella Akhmadulina, Robert Rozhdestvensky e outros poetas da geração dos anos 60, o carismático Yevtushenko declamou seus poemas no antigo Estádio Central Lênin de Moscou perante mais de cem mil pessoas, incrédulas com os inusitados ventos de liberdade que sopravam após o fim do stalinismo.

Yevtushenko, que também encheu estádios em outros lugares do mundo como México, Espanha, Chile e Estados Unidos (o emblemático Madison Square Garden de Nova York), conseguiu algo extraordinário: ser admirado por partidários do regime e dissidentes, comunistas e liberais, russos e americanos.

Apesar de escrever poemas desde muito jovem, o momento crucial de sua carreira literária ocorreu quando sua tia lhe disse que Stalin era um "assassino" e que seus avôs por parte de pai e mãe tinham sido reprimidos como inimigos do povo.

 

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