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Morre na Itália o escritor brasileiro Julio Cesar Monteiro Martins

Escritor tinha 59 anos e estava radicado na Europa há mais de 20

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O Estado de S. Paulo

25 Dezembro 2014 | 14h21

 Morreu nesta quarta-feira, 24, na cidade de Lucca, na Itália, o escritor brasileiro Julio Cesar Monteiro Martins. Radicado na Itália há mais de 20 anos, ele passou a escrever obras em italiano, embora tenha obras publicadas em português no Brasil, entre elas, Torpalium (1977), A Oeste de Nada (1981) e O Espaço Imaginário (1987). A informação foi divulgada por sua esposa Alessandra.

"Hoje Julio decidiu nos deixar. Estava na hora, despediu-se tranquilo. Foi em paz, lúcido, protegido pelo amor da família e dos amigos, sem sofrimento. Decidiu adormecer, entrando devagarinho no sono eterno. Enfrentou a doença como guerreiro que era, com coragem, sem poupar forças, com fé. A sua fé laica sempre foi aquela das esperanças, porque ele era mesmo assim: um homem que sabia contar-se uma realidade mais feliz, um homem que voava e imaginava coisas bonitas", diz a mensagem.

No final da década de 70, o escritor se tornou um dos representantes mais promissores de uma geração de contistas formada por Domingos Pellegrini, Caio Fernando Abreu, Luiz Fernando Emediato e Antonio Barreto. Lançou o primeiro livro em 1977, o Torpalium (Ática), ao qual se seguiram outros oito, quatro deles publicados pela editora Ânima, fundada por ele próprio na década de 80.

Em 1994, após ter vendido sua editora para arcar com as custas de um longo processo movido contra o cineasta Cacá Diegues, acusado por Monteiro de ter se apropriado de um roteiro seu para Um Trem pras Estrelas, o escritor resolveu trocar o Brasil primeiro por Portugal e, em seguida, pela Itália. Segundo Monteiro disse em entrevista ao Estado em fevereiro de 2001, os danos morais causados pelo processo inviabilizaram sua vida no Brasil.

Na época da entrevista, ele dirigia o centro de formação literária Sagarana tinha acabado de publicar seu segundo livro em italiano, Racconti Italiani (editora Besa), elogiado pela crítica local. “Escrever em uma língua que não é a sua enriquece consideravelmente uma cultura, porque há um modo de ver e pensar as coisas inteiramente diverso da produção dos escritores que escrevem na sua língua materna”, disse Monteiro ao Estado.

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