Morre aos 88 anos a escritora espanhola Ana María Matute

Autora de ‘Olvidado Rey Gudú’, sem publicação no Brasil, venceu o Prêmio Miguel de Cervantes em 2010

EFE

25 Junho 2014 | 10h51

A escritora espanhola Ana María Matute, vencedora do Prêmio Cervantes de 2010, morreu nesta quarta-feira, 25, no Hospital de Barcelona, um mês antes de completar 89 anos e depois de ter sofrido há alguns dias uma crise cardiorrespiratória.

Apesar de seus problemas de saúde, Ana María estava trabalhando constantemente no seu último romance, Demonios Familiares, previsto para publicação na Europa em setembro.

As fontes que informaram a morte da escritora também disseram que ela “estava muito animada com os planos de publicação da obra”. Apesar de não ter edições no Brasil, a autora de Olvidado Rey Gudú – um romance de mais de 900 páginas ambientado na Idade Média – era também Prêmio Nacional das Letras, e vencedora dos prêmios Planeta e Nadal. Ana María Matute era considerada uma grande fabulista e escritora de imaginação transbordante.

Tomada como uma das maiores figuras da literatura espanhola do pós-guerra, ela nasceu no dia 26 de julho de 1925, em Barcelona, filha de mãe espanhola e pai catalão. Com 17 anos, escreveu seu primeiro romance, Pequeño Teatro, que não publicou até onze anos depois, e com o qual venceu o Prêmio Planeta em 1954. Nos anos 1950, enfileirou prêmios literários espanhóis, mas também enfrentou problemas familiares. Em 52, casou-se com o escritor Eugenio de Goicochea, com quem teria dois anos depois seu único filho, Juan Pablo, mas a separação chegaria alguns anos depois, num momento em que o divórcio era algo impensável e a guarda dos filhos geralmente era entregue ao pai.

Durante dois anos, a escritora só conseguiu ver o filho aos sábados, até que recuperou sua guarda quando o filho tinha 10 anos. Depois, Ana María viajou aos Estados Unidos e trabalhou em diversas universidades. A Coleção Ana María Matute, na Universidade de Boston, foi iniciada pela escritora nessa época, e contém manuscritos e outros documentos.

Em 1996, foi eleita para ocupar a cadeira K da Real Academia Española, e em 2010 foi distinguida com o maior prêmio da língua hispânica, o Cervantes. Segundo o júri daquela edição, ela mereceu o prêmio pela obra extensa e fecunda que se move entre o realismo e “a projeção ao fantástico” e por possuir “um mundo e uma linguagem próprios”.

“São João disse: ‘quem não ama está morto’ e eu me atrevo a dizer: ‘quem não inventa, não vive’” foram suas palavras iniciais no discurso de aceitação do Prêmio durante a cerimônia de entrega, em abril de 2011, no qual ainda reconheceu: “a literatura tem sido, e é, o farol salvador de muitas de minhas tormentas”.

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