Rob Carr| AP
Rob Carr| AP

Morre a escritora americana Harper Lee, aos 89 anos

Autora de 'O Sol é Para Todos' lançou um segundo romance em 2015, mais de 50 anos depois de seu sucesso inicial

O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2016 | 14h05

A escritora Harper Lee, autora de um dos clássicos mais duradouros da literatura norte-americana, O Sol é Para Todos, morreu ontem aos 89 anos, no estado de Alabama, nos Estados Unidos. Não foi informada a causa da morte.

Harper vivia sob cuidados médicos em uma clínica para idosos. Sempre muito reservada, ela não dava entrevistas nem fazia aparições públicas há anos. A escritora esperou 55 anos para publicar um segundo romance com os mesmos personagens, mas de um ponto de vista muito diferente.

Durante décadas, acreditou-se que Harper jamais daria sequência a O Sol é Para Todos, publicado em 1960 e que vendeu 30 milhões de cópias. Assim, a publicação de Vá, Coloque um Vigia em julho de 2015 foi um acontecimento literário surpreendente – e um choque para os fãs do livro anterior. As duas obras foram lançadas no Brasil pela editora José Olympio.

Em O Sol, Atticus Finch é o pai reverenciado da jovem narradora Scout e um advogado que, com nobreza mas sem sucesso, defende um negro acusado injustamente de estuprar uma branca. Em Vigia, porém, um Atticus mais velho mostra opiniões racistas que deixam a já crescida Scout profundamente desiludida.

Vigia ficou perdido por cerca de 60 anos. Em 2015, logo depois de seus originais serem descobertos pela advogada Tonja Carter, que conseguiu autorização para publicação com a própria autora, o romance chegou às livrarias dos Estados Unidos e Canadá, causando furor entre os leitores. Só na semana de lançamento, mais de um milhão de exemplares foram vendidos nesses países. “Mais do que a autora de um dos maiores clássicos modernos, Harper Lee foi uma mulher talentosa, que conseguiu sucesso em vida, em um ambiente de grande efervescência cultural, que foi a Nova York dos anos 1960. Com uma obra política e original, como nos mostrou o inesperado lançamento de seu último romance no ano passado, ela tocou em uma ferida aberta das Américas e se tornou um dos nomes mais conhecidos da literatura mundial. Devemos muito a ela”, comenta Elisa Rosa, editora executiva da José Olympio. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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