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CHRIS WARDE JONES| NYT

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Mistério por trás da autora de 'A Amiga Genial' atiça curiosidade mundial

Um dos maiores fenômenos literários da Itália, escritora até hoje não tem rosto, é um fantasma para seus leitores

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AFP

15 Março 2016 | 15h55

A identidade da autora do fenômeno literário A Amiga Genial, a italiana Elena Ferrante, que escreve sob pseudônimo, continua sendo um mistério - apesar das inúmeras tentativas da imprensa de desvendar seu verdadeiro nome.

A autora de um dos maiores fenômenos literários da Itália até hoje não tem rosto, e é um fantasma para os leitores que se espalham para muito além da bota.

O que alguns consideram uma eficaz estratégia comercial pode ser quebrada caso a candidata ao maior prêmio literário britânico Man Booker International, junto ao turco Orhan Pamuk e ao japonês Kenzaburo Oe, aceite receber pessoalmente o importante reconhecimento.

Uma eventualidade remota já que Ferrante, que se lançou como escritora nos anos 1990, se nega a sair do anonimato, oficialmente porque quer reforçar a história de seus romances e evitar o papel de escritora.

Ferrante, autora de uma trilogia deslumbrante que tem como plano de fundo a cidade de Nápoles em meados do século XX e como protagonistas Lila e Lenú, duas jovens mulheres rivais e inteligentes, alcançou um sucesso espetacular dentro e fora da Itália, especialmente nos Estados Unidos e no Canadá, com mais de um milhão de exemplares vendidos.

O jornal italiano Il Corriere della Sera tentou romper o silêncio da autora e seus editores no último final de semana com uma reportagem revelando a "verdadeira identidade" de Ferrante, mas não conseguiu.

Segundo o jornal, tomando como base dos estudos do filólogo Marco Santagata, que examinou elementos cronológicos e topográficos dos quatro romances da saga iniciada com "A amiga genial" (publicado no Brasil pelo selo Biblioteca Azul, da editora Globo), seguida por "Histórias de um novo nome", "As dúvidas do corpo" e "A menina partida" (os três últimos ainda sem tradução brasileira), Elena Ferrante é na verdade Marcella Marmo, professora de História contemporânea, nascida em Nápoles em 1946 e uma das poucas napolitanas a se formar na célebre Normal de Pisa, como a protagonista dos livros.

"Não, eu não sou a Elena Ferrante. Expresso minha criatividade apenas na cozinha", garantiu Marmo, uma senhora afável, culta, autora de importantes ensaios e análises literárias, que parece se divertir com a ideia de ser a autora misteriosa.

Os livros de Ferrante são apaixonantes, capturam o leitor por meio da linguagem e do percurso de sessenta anos pela história recente da Itália com um olhar feminino e feminista, a partir de um bairro pobre de Nápoles.

A saga foi publicada em mais de 30 países, incluindo Brasil e Chile, onde está classificada entre os 10 mais vendidos.

 

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